O rendilhado dos andaimes e a imagem publicitária do presente já cobrem as figuras do passado. O Infante D. Henrique e D. Pedro IV estarão "desaparecidos" durante os próximos seis meses para regressarem de cara lavada. Depois do painel da Ribeira Negra, de Júlio Resende, e das esculturas A Menina Nua e Os Meninos, de Henrique Moreira, o programa Porto Com Pinta está a recuperar as estátuas das duas figuras históricas.
Os maltratos das gaivotas e do passar do tempo serão corrigidos pela mão da APOR - Agência de Modernização do Porto, com o patrocínio do Banco Português de Negócios (BPN). Na Praça da Liberdade, aproveita-se esta acção para reparar a cabeça e a asa do dragão do escudo da cidade, que estão partidas, e o pedestal bastante deteriorado da estátua de D. Pedro IV. Os trabalhos incluem uma experiência a colocação de espigões, sem adulterar a imagem da estátua, para afastar as gaivotas.
Mas há outras intervenções em curso ou prestes a arrancar. Em breve, será feito o restauro das fachadas Sul e Poente do Paço Episcopal na Sé (falta o aval do bispo e da Câmara do Porto). Os painéis publicitários das empresas - que se juntam à lista de mecenas que, ao longo de quase seis anos, tem suportado parcial ou integralmente a factura da reabilitação das fachadas de edifícios e de monumentos - estão colocados num prédio da Praça da Liberdade, em dois imóveis da Rotunda da Boavista e em dois edifícios em Passos Manuel e na Rua do Almada. Em seis anos, o Porto com Pinta totaliza 42 intervenções. Em média, concretizam-se sete a oito recuperações por ano, cujo orçamento oscila entre 20 e 40 mil euros. Ao todo, foram investidos dois milhões de euros em restauros.
"Gostaríamos de passar de oito monumentos e fachadas por ano para 20", conta Mário Martins, presidente da APOR. O programa iniciou-se no mandato do ex-presidente da Câmara, Nuno Cardoso, em Novembro de 2001. A área de intervenção tem sido crescido ao longo dos anos, abarcando, hoje, o Centro Histórico e da Baixa alargada até à Rotunda da Boavista. O modelo é simples as empresas suportam entre 60% a 80% do restauro das fachadas dos prédios (no caso dos monumentos, paga a totalidade) e os proprietários cobrem o restante. Em contrapartida, a fachada é coberta por uma tela publicitária durante seis meses, ficando isenta de taxas municipais. "É tempo suficiente para permitir a rentabilidade dos patrocinadores, pois não é uma publicidade barata", adianta.
A APOR tem um "portfolio" com 150 monumentos e edifícios com valor histórico ou com grande visibilidade (mas acolhem candidaturas de proprietários de prédios na área de intervenção). É enviado a empresas e a angariadores de publicidade à espera de uma resposta positiva. A escolha é feita pelos patrocinadores, de acordo com o valor que pretendem gastar ou o público que ambicionam atrair.