Aconstrução da Avenida Nun'Álvares é defendida por todos, mas a solução urbanística, presente no plano de execução revelado anteontem à vereação da Câmara do Porto, não reúne consenso. Além da esgrima de argumentos no blogue de A Baixa do Porto, também as duas juntas das freguesia por onde passará a nova via, que liga a Praça do Império à Avenida da Boavista, possuem visões distinta do documento. O vereador do Urbanismo, Lino Ferreira, já deu conta de que o plano é uma proposta. "Nada do que aqui se apresenta é definitivo", indicou anteontem, olhando, com expectativa, para a discussão pública. Porém, caso se realize em Agosto, há quem receie que a participação seja diminuta por causa das férias.
O presidente da Junta da Foz, José Pinto Ferreira, é favorável à solução, enquanto o de Nevogilde, João Luís Rozeira, discorda da largura da avenida e de outros aspectos do plano. "Tenho reservas, mas gostaria de manifestá-las, em primeiro lugar, ao vereador do Urbanismo. Na terça-feira de manhã [anteontem], enviei o pedido de reunião por e-mail. A última reunião que tivemos foi no ano passado, em que algumas alterações foram consideradas e outras não", afirma o autarca do PSD, especificando que sempre manifestou objecções à excessiva largura da avenida - está prevista a construção de duas vias rodoviárias em cada sentido, dois corredores bus e uma ciclovia.
"Estou inteiramente de acordo com a construção da avenida. Só estou contra o traçado. Uma via com 37 metros de largura é fracturante numa zona residencial da cidade", acrescenta. A Junta de Nevogilde constituiu uma comissão de acompanhamento, composta pelos arquitectos Alexandre Burmester, Pedro Aroso, Sebastião Moreira, Marta Marques de Aguiar e Luís Botelho Dias e pelo engenheiro Diogo Alpendurada, para analisar as soluções urbanísticas para a área de 34 hectares e 80 propriedades.
O JN apurou que, entre as sugestões da Junta de Nevogilde, estará a redução da largura da avenida de 37 para 25 metros, para que tenha apenas uma via rodoviária em cada sentido; e que não haja edificação de frentes contínuas no lado poente (a margem mais próxima da marginal) da alameda, admitindo-se só a construção de remates do actual tecido urbano e de moradias. A introdução de um canal para a futura linha do metro - de Matosinhos até à Baixa - é outra proposta em cima da mesa. Esse canal poderia ficar na margem poente da Avenida Nun'Álvares, caso não houvesse construção.
Para o presidente da Junta da Foz, a solução só peca por tardia. "Esta zona está muito constrangida em termos de trânsito e, finalmente, surge a oportunidade de fazer-se a obra, requalificar-se a área e construir-se equipamentos importantes", sublinha José Pinto Ferreira, que recusa as críticas à largura da via "Não vejo qual é o mal, quando, no Porto, estamos sempre a queixar-nos de que a Baixa tem ruas estreitas. Por que é que, na zona oriental da cidade, podem fazer-se novas avenidas largas e, na Foz, não pode ter aquela largura?"