Oprojecto improvável - hip hop, percussões minhotas, clássica e uma tuna? - estava a ser preparado desde o início do ano e a fusão atrás do nome "Ritmos da cidade" foi apresentada publicamente, anteontem, na Casa da Música, no Porto. Há muito não se via um concerto/acontecimento tão completo não só a pluralidade de géneros musicais ficou coesa, como a sua interacção com os vários géneros de público que encheram as bancadas da praça foi um êxito.
Sob a direcção musical de Paul Griffiths, Sam Manson e Tim Steiner, o projecto reuniu dezenas de músicos (e não só) sobre o palco. Os Per'curtir, uma orquestra jovem de percussão de Vila do Conde especializada em chulas, mas também em samba, funk e hip hop, alinhavam ao lado da Setentuna, uma tuna de São Mamede de Infesta composta por elementos com idades próximas dos 70 anos, que, por seu turno, ainda harmonizavam com os DaFirma, grupo de hip hop de Guimarães, assim como com a Orquestra de Famílias Reais e o Ensemble do Curso de Formação de Animadores Musicais.
Temas como "Postal sonoro", "Ponte" ou "Vulcão" concentravam as diferenças dos registos num jeito ora elegante, ora popular, ora rebelde.A ideia passava por unir as diferenças e resultou MC's dançaram marchas com cantoras da Setentuna e as meninas dos jogos de sinos aprenderam passos com os break dancers que, entretanto, apinharam ainda mais o palco.
Nas bancadas, ninguém descolava a atenção do espectáculo. Nem a malta com copos de cerveja na mão, nem a senhora de cabelos brancos amparada pela filha, nem as famílias inteiras, num final de tarde diferente. "Ritmos da cidade" inspirou-se no Porto. O Porto retribuiu.