A Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica do Porto quer fechar todos os equipamentos sociais que tem sob a sua alçada e avançar com o despedimento colectivo dos funcionários. As propostas vão ser analisadas pelo Conselho Geral da instituição, em reunião extraordinária a realizar na próxima quarta-feira. No entanto, Edmundo Martinho, presidente do Instituto da Segurança Social, entidade que financia aquelas valências afirmou, em declarações ao JN, que o fecho "está completamente fora de questão".
"Esses equipamentos não podem fechar. Não sei como é possível surgir essa questão", insistiu Edmundo Martinho, surpreendido com a ordem de trabalhos da próxima reunião do Conselho Geral da Fundação, que coloca em situação de risco estruturas essenciais para uma das zonas mais carenciadas da cidade - um centro de apoio à infância frequentado por meia centena de crianças, um espaço de apoio a jovens com cerca de 30 utentes, um núcleo de Formação Profissional e Emprego, um gabinete para o Rendimento Social de Inserção e outro para a atribuição de bolsas de estudo a alunos com dificuldades financeiras.
Edmundo Martinho reiterou, diversas vezes, que as valências sociais são para manter, admitindo, porém, que o seu funcionamento possa desligar-se da Fundação da Zona Histórica até porque, conforme recordou, "a Câmara do Porto entende que não faz sentido a sua continuidade". A instituição vive há muito sob o espectro do encerramento, com dificuldades financeiras e dependente do entendimento, nem sempre fácil, da Autarquia com o Governo.
Trabalhadores da Fundação e presidentes de Junta do Centro Histórico desconfiam do processo que poderá levar à entrega das valências a instituições particulares de solidariedade social.
Apesar das garantias financeiras, os autarcas, com assento no Conselho Geral, tomam a proposta como válida. E mesmo que o eventual encerramento das valências sociais não os surpreenda, manifestam-se indignados com a situação. Tal como os trabalhadores, que denunciam já nem haver dinheiro para os salários deste mês e a existência de negociações para entregar os equipamentos a outras instituições. António Oliveira, presidente da Junta da Vitória, sublinhou que os autarcas estarão "muito atentos" ao destino do património da FDZHP.