Sem honra nem glória, com dívidas e críticas à Câmara do Porto, chegou, anteontem à noite, ao fim a Fundação para o Desenvolvimento da Zona Histórica do Porto (FDZHP) que, durante 17 anos, interveio no núcleo antigo da cidade. O corte de verbas protocoladas com a Câmara e o esvaziar de competências da instituição por parte de Rui Rio aceleraram o "triste fim". No decorrer de uma reunião, foi aprovada, por 19 votos a favor, dois votos contra e uma abstenção, a sua extinção. As juntas de freguesia da Sé, Miragaia, S. Nicolau e Vitória, todas de maioria PS, também concordaram com a opção.
Foi sob alguma tensão dos moradores e funcionários que decorreu o conselho geral destinado a propôr a extinção da Fundação e o subsequente despedimento colectivo dos 24 trabalhadores. "É uma injustiça. A Câmara de Rui Rio é a grande responsável pela situação criada, já que não cumpriu com os protocolos estabelecidos", repetiu, ao JN, uma das funcionárias do organismo situado na medieval Rua dos Mercadores, que recusou identificar-se com medo de represálias.
Enquanto fala, alguns moradores criticam a opção do Executivo e exaltam-se. "É uma vergonha", grita um deles. São quase 22 horas e antes da reunião começar, novo "frisson" acontece quando os trabalhadores da Fundação exigem participar nos trabalhos. "Uma arruaça", classificou um dos conselheiros. Uma hora depois, e após ter sido permitida a permanência de dois representantes, a proposta subscrita pela Segurança Social, Câmara do Porto, Instituto de Emprego e Formação Profissional e Confederação das Instituições Privadas da Solidariedade Social (IPSS), resolvem extingir a Fundação, promover a transição das valências de apoio às crianças e idosos para as instituições de solidariedade social já existentes no Centro Histórico. Quanto à reabilitação dos prédios degradados, uma das áreas de intervenção da FDZHP, ficará a cargo da Porto Vivo-Sociedade de Reabilitação Urbana.
Senhas de 250 euros
Entre o conjunto de medidas votadas pela maioria dos conselheiros, conta-se a realização de uma auditoria às contas, destituição dos actuais responsáveis (que, por cada reunião, tinham direito a uma senha de presença de 250 euros) e a nomeação de novo Conselho de Administração, a propôr conjuntamente pela Segurança Social e Câmara Municipal do Porto.