Inauguram hoje, no Museu de Serralves, no Porto, duas exposições "Entrar na obra, estar no Mundo: a fotografia na colecção da Fundação de Serralves" e "François Dufrêne".
A obra de François Dufrêne (1930-1982) insere-se no conjunto dos movimentos do pós-guerra que operam a desmaterialização do objecto artístico, ligando-o a conteúdos performativos e integrando-o no contexto social. Em Serralves, poderemos ver pela primeira vez a ligação entre os cartazes e o seu trabalho sonoro e fílmico.
"Entrar na obra, estar no Mundo a fotografia na colecção da Fundação de Serralves" é a segunda exposição, composta por obras representativas da produção artística da década de setenta até aos nossos dias que integram determinadas linhas de investigação: a ligação entre Arte e Paisagem; a auto representação e a crítica de estruturas de legitimação. É a primeira vez que Serralves apresenta esta colecção.
De entre as obras que integram a exposição inclui-se "Some thames" (2001), de Roni Horn. Nesta série, a artista debruça-se sobre questões relacionadas com a identidade, ou aquilo a que chama "uma enciclopédia da identidade". Aqui, o rio é captado em imagens sem quaisquer pormenores distintivos, é o seu todo que se transfigura numa paisagem à qual atribuímos características psicológicas.
A questão da identidade procede de uma abordagem pessoal, nas suas palavras "Aproximo-me falando do facto de ter crescido andrógena. Começou com o meu nome que não é masculino nem feminino. Parece-me, retrospectivamente, que toda a minha identidade se formou em torno disso, em torno de não ter sido isto ou aquilo: um homem ou uma mulher". Este aspecto, segundo Thierry de Duve, marca a posição da artista, no sentido em que o "eu" como emissor torna-se dependente do ponto de vista a partir do qual é recebido (do "tu").