A mensagem que transmitiu, sempre através de personagens eloquentes mas terrivelmente solitários, foi a de uma alvorada sem redenção possível. "A minha necessidade é estar morto" - diz-se no interior gelado de "Morangos silvestres" (1957), uma das suas obras-primas. "Absolutamente, totalmente, morto". Exactos 50 anos depois, Ingmar Bergman, sueco, 89 anos, considerado por demasiados o maior cineasta de sempre, morreu.
A sua última aparição pública deu-se no início deste mês na habitual bruma da ilha de Faarö, que o abrigava no mar Báltico e que tantas vezes filmou. Foi uma imagem penosa Bergman, metido numa cadeira de rodas, inerte, silente, doente, muito, muito cansado, deu-se a ver brevemente na homenagem dos seus 50 anos de carreira.
"Ele partiu calma e docemente", disse ontem a sua filha Eva Bergman, que revelou a notícia à agência sueca TT sem precisar a razão da morte ou a data do óbito. Segundo o jornal sueco "Dagens Nyeter", o cineasta morreu ontem de manhã, por volta das seis horas. O local e data do funeral não foram ainda revelados.
Cineasta dos cineastas
Não é só a Suécia que o chora - é o mundo que vê cinema. "Bergman era o cineasta dos cineastas", disse o presidente da associação de realizadores americanos, Michael Apted, que achou a súmula para o novo vácuo "Ele era a encarnação do cineasta".