As ruínas da antiga fábrica de Lanifícios de Lordelo do Ouro, na Rua de Serralves, no Porto, receberam, anteontem, uma apresentação pública do estudo histórico-arqueológico iniciado há três semanas no local. Com o objectivo de identificar a existência de possíveis condicionantes à construção de um complexo habitacional, o resultado das sondagens arqueológicas acabou por dar carta branca à realização dos trabalhos de recuperação daquele terreno.
Desde 1999 que a Solidariedade e Amizade, Cooperativa de Habitação Económica (SACHE) mostrou interesse em requalificar aquela zona degradada da cidade. Mas, até ao momento, o projecto não recebeu o aval da Câmara do Porto. "Numa tentativa de licenciar o projecto urbanístico para esta área, mostrou-se obrigatória a realização deste estudo histórico-arqueológico", explicou Pedro Dias Ferreira, presidente da SACHE.
Esta exigência da Câmara advém da importância histórica da área, que esconde, debaixo de terra, valências do século XIX e XX. Além de ter acolhido uma fábrica, foi também edificado nesta área o Forte de Serralves, reduto militar utilizado na época das lutas liberais.
As escavações, dirigidas pelo arqueólogo Jorge Menéndez, envolveram uma área de 120 metros quadrados. Das estruturas descobertas, o arqueólogo destacou como mais importantes um muro inclinado e alicerces que podem ser relacionados com a estrutura do Forte de Serralves e também um forno em bom estado de conservação.
No entanto, "ao nível do impacto arqueológico, não existe nenhum entrave ao reaproveitamento desta zona", confirmou Menéndez durante a visita guiada pelas dez escavações. Além do licenciamento do terreno da antiga fábrica, falta ainda licenciar o projecto de recolocação da Ribeira de Granja no seu leito natural.