ACasa-Cinema Manoel de Oliveira, na Foz do Douro, vai acolher temporariamente a Divisão Municipal do Património Cultural e o Departamento de Museus da Câmara do Porto. O imóvel, desenhado pelo arquitecto Souto Moura, está concluído há quatro anos, mas não serve o fim a que foi destinado receber o vasto espólio do cineasta. Manoel de Oliveira e a Autarquia, proprietária do espaço, não se entendem e o edifício foi ficando vazio, degradado e vandalizado. Agora, a Câmara vai repará-lo e ocupá-lo para evitar que todo este processo se transforme num "filme de terror".
A transferência dos departamentos já está a ser preparada, mas só será feita depois das obras de reparação. A Câmara acredita que, além de habitar o imóvel e evitar os constantes actos de vandalismo, a mudança vai "garantir uma melhor coordenação entre os dois serviços, virando-os mais para o exterior e, ao mesmo tempo, libertar, para outras funções, o espaço que ocupam no Palácio dos Correios".
Os serviços vão ficar instalados provisoriamente na Casa-Cinema "até que seja encontrada uma solução definitiva para o espaço". Esta é a intenção da Autarquia que, no entanto, não descarta a hipótese de "encontrar um destino diferente para a casa". Tal, sublinha a Câmara, ainda não foi equacionado porque "a prioridade é dar-lhe o destino pensado em 1999".
Fundação pode ser a saída
O imbróglio entre o realizador de cinema e a Autarquia portuense mais parece uma longa-metragem. A primeira pedra da Casa-Cinema foi lançada no mandato do socialista Nuno Cardoso, mas ficaram por acordar os termos de utilização do espaço com Manoel de Oliveira.