Continuamos com a nova "Avenida Nun'Álvares" que ligará a Praça do Império à Avenida da Boavista. Em termos funcionais, é esta a missão que lhe está determinada, mas não pode deixar de se referir que uma outra, não expressa mas evidente, é o prolongamento da Rua Diogo Botelho e do Campo Alegre até à Foz. Trata-se, por isso, de uma via que, obviamente, vai completar a malha da cidade que, não só naquela zona, se encontra ainda incompleta, indefinida ou, simplesmente, expectante.
A futura avenida tem, portanto, também, a nobre missão "urbana" de dar seguimento natural, continuidade lógica e permeabilidade acrescida ao espaço público da cidade, numa zona muito marcada por profundas alterações de carácter - a escala, a paisagem e a vivência, estão entre as mudanças mais radicais - mas foram muito mais o fruto de circunstâncias e de pressões do mercado do que o resultado de verdadeiras políticas de "desenho" de cidade.
Questões deste tipo são cruciais para a definição de critérios para o desenho das cidades. Por isso, podemos agora fazer duas perguntas que só aparentemente já estão respondidas mas que, de facto, ainda o não estão, mas são essenciais para se compreender a abertura desta avenida.
A primeira é a de saber se a futura avenida deve entroncar, simplesmente, na Avenida da Boavista e por aí fivar, ou se deve atravessar o Parque da Cidade e, assim, fazer a ligação a Matosinhos, "cruzando" a Circunvalação e ligando decididamente as malhas urbanas das duas cidades através da já existente Avenida D. Afonso Henriques?
A segunda é a de saber se, para além de "cerzir" toda a malha urbana existente, inacabada ou imperfeita, dos territórios que vai atravessar, esta nóvel avenida, se prepara para ser um novo pólo de atracção e uma nova referência urbana, já que uma nova funcionalidade é com certeza? Estas duas questões são, exactamente, o tipo de questões sobre as quais os cidadãos deverão ser chamados a "reflectir" já que se trata de grandes linhas de orientação a que os técnicos têm de responder e não de especificidades de desenho cuja definição cabe, sobretudo, aos especialistas que irão elaborar o projecto da obra.