De inimigo, o metro passou a ser amigo do ar que se respira no centro do Porto. Depois das obras que durante anos foram responsáveis por uma concentração excessiva de PM10 (partículas extremamente nocivas à saúde), a utilização generalizada do metro tem contribuído para a melhoria, ainda que de forma lenta, da qualidade do ar que respiramos.
"Temos, hoje, um número muito superior de pessoas que utilizam o metro em detrimento do transporte particular. Há cada vez mais movimentos pendulares para o Porto, de pessoas que deixam os seus carros à entrada das cidades e que se deslocam para o centro utilizando o metro", revelou, ao JN, Paulo Silva, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), após terem sido, ontem, apresentadas as conclusões e propostas do estudo "Planos e Programas para a Melhoria da Qualidade do Ar na Região Norte (2001-2004)".
Embora ainda não haja um estudo sobre os reflexos da utilização do metro na melhoria da qualidade do ar, Paulo Silva garante que "já há indícios que permitem aferir essa tendência". Que só pode melhorar. "Quando estiver concluída a linha de Gondomar, isso vai notar-se porque há muita gente daquele concelho que trabalha no Porto e que vai passar a utilizar o metro", argumenta.
Ainda assim, o ar que se respira no Porto está longe de ser o ideal, à imagem do que sucede na Região Norte, que continua a ser, a nível nacional, aquela que regista maiores concentrações de ozono e PM10. Apesar de as emissiões de monóxido de carbono, de dióxido de enxofre e de PM10 terem sofrido uma ligeira diminuição, nos últimos tempos, segundo Paulo Silva, "ainda não é possível fazer um balanço positivo", tendo em conta "o número significativo" de vezes em que são ultrapassados os limites legislados de emissões de poluentes atmosféricos.
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