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Sudoeste despediu-se em alta

Publicado

Cristiano Pereira
 

A11.ª edição do Festival Sudoeste terminou às primeiras horas de ontem. A zona em frente ao palco principal só viria a encher-se de gente no momento em que os James entraram em cena. Como seria de esperar, foi um concerto de antologia onde não faltaram os hits que a plebe queria ouvir "Born of frustration" ou "Sit down", por exemplo.

Horas antes, Albet Hammond Jr, o guitarrista dos Strokes, actuara perante escassas centenas, mas deixou boa impressão com um rock orelhudo que lembrou, e com toda a naturalidade, os Strokes.

Todavia, foi num palco secundário que se viveram os momentos mais intensos da noite. Os Of Montreal, por exemplo, parecem ter enchido as medidas aos fãs que se deixaram cativar por aquela pop com resquícios de psicadelismo e uma componente cénica com mascarados em cena. Os Trail of Dead, por seu turno, foram ainda mais entusiasmantes na distribuição de electricidade áspera.

O grande concerto da noite aconteceu, claro, com os americanos The National, algo que só aconteceu às duas da madrugada. A banda - já aqui o dissemos - laborou alguns dos melhores discos da mais recente fornada do indie-rock. Na Zambujeira, o alinhamento debruçou-se numa colheita de canções dos seus últimos dois - "Alligator" e "Boxer" -, algo que agradouà fiel legião de fãs que permaneceu junto às grades. A actuação não desiludiu, apesar de terem sido perceptíveis alguns problemas técnicos, principalmente no que à monição de voz concerne.

Em determinados momentos, Matt Berninger, o vocalista, mostrou-se pouco ou nada sóbrio - e isso não foi necessariamente mau. Cambaleou aqui e ali, é certo, mas a dispersão etílica não lhe afectou a estupenda voz de barítono com que nos cantou coisas como "You get mistaken for strangers by your own friends" ou "Break my arms around the one I love". Alturas existiram em que se olvidou de uma ou outra frase, não escondendo um certo embaraço com um sorriso matreiro e um ou outro esbracejar - mas isso são pormenores de somenos importância. Faltou o violino, sim, mas tudo o resto esteve lá a bateria a destilar tensão, duas guitarras enfeitiçantes, um charme boémio assaz sedutor - e um punhado de canções que nos circulam vivificantes no sangue: "Start a war", "Secret meeting", "Baby we'll be fine", "Lit up" ou, entre muitas outras, "Mistaken for strangers". Foram 60 minutos desconcertantes que terminaram com "About today".

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