A deposição de lamas provenientes de estações de tratamento de águas residuais (ETAR) nas partes altas da freguesia de Cabração, em Ponte de Lima, está a revoltar os moradores da localidade, assim como de freguesias vizinhas, que se mostram "muito preocupados" com a situação.
Cheiros "nauseabundos", que exalam das cargas depositadas no Monte de Formigoso, estão na origem das queixas das populações, que elaboram um abaixo-assinado a remeter, posteriormente, às entidades competentes. Por sua vez, a autarca local, Maria de Fátima Lopes, assegurou que os trabalhos que decorrem no espaço natural "cumprem a legislação em vigor", afirmando tratar-se de uma experiência-piloto com vista à reflorestação daquela área. Segundo disse, o projecto em curso na serrana localidade não foi, ainda, explicado à população, uma vez que "corria-se o risco de se perder uma oportunidade. Oportunidade essa que é do interesse da freguesia".
"Uma epidemia"
Domiciliado no lugar de Balouca, a curta distância do local onde têm vindo a ser depositadas as lamas das ETAR, Manuel Amorim afiançou "dias houve em que não se conseguia suportar os cheiros. À custa disso, a minha esposa chegou a passar muito mal. Isto é uma epidemia, que não pode continuar". De férias na terra natal, Carlos Amorim considerou que a população da localidade deveria ter sido consultada antes do início dos trabalhos no monte. "Fazer isto sem dizer nada a ninguém é muito mal", observou. Residente na vizinha freguesia de Estorãos e um dos signatários do abaixo-assinado, Manuel Pereira acrescentou: "por cheirar muito mal lá em baixo (no centro da freguesia) é que vim ver o que se passava aqui, no monte. Quando cá cheguei, não queria acreditar no que estava a acontecer".
Afirmando-se "preocupada" com a eventual poluição do curso de água que atravessa a freguesia, Irene Lourenço, autarca de Estorãos, adiantou que vai instar os executivos de Cabração e camarário sobre o projecto. "Queremos saber quais os trabalhos em curso e se estão devidamente autorizados", disse.