Os consumidores portugueses deixaram, entre 2006 e 2007, mais de duas mil queixas escritas nos livros de reclamações, revelou, ontem, a Secretaria de Estado do Comércio, Serviços e Defesa do Consumidor. E se em 2006 o total de reclamações registadas quase chegou às 82 mil, em 2007 esse número ultrapassou as 120 mil, indicando um crescimento de 46,9%, face ao ano anterior.
As entidades que mais acolheram queixas, no biénio observado, foram a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (86,4%) e, curiosamente, o Banco de Portugal (62,7%). Os organismos mais impolutos foram os centros distritais de Segurança Social, o Instituto da Construção e do Imobiliário e a Inspecção-Geral das Actividades Económicas.
Banca sob acusação
A chuva de queixas que caiu na ASAE entre 2006 (40116) e 2007 (74760) incidia, predominantemente, sobre situações relacionadas com o cumprimento defeituoso ou não conforme o contrato celebrado (prestação defeituosa de um serviço, produto ou serviço, não cumprimento da garantia de um contrato, atendimento deficiente, informação pré-contratual insuficiente ou errada, assistência pós-venda deficiente). Por seu turno, o Banco de Portugal abriu as portas às maçadas dos portugueses com a Banca em geral, captando, em 2006, 4575 reclamações e, em 2007, um total de 7445 queixas. O consumidor descruzou as pernas e apontou o dedo ao funcionamento interno das instituições bancárias, designadamente a demora no atendimento, a deficiência das instalações e a falta de cortesia nas relações com os clientes. À lista juntaram-se, ainda, reclamações sobre cheques, crédito à habitação e movimentação de contas.
No terceiro lugar desta lista de consumidores insatisfeitos surge a Autoridade Nacional de Comunicações, que recolheu, no biénio, 30 381 queixas. A maior parte das reclamações dirigiam-se a equipamentos utilizados, atendimento e assistência e erros na facturação, enquanto que no sector dos serviços postais as queixas eram contra o atendimento ao cliente, falta de tentativa de entrega e atraso de entrega de correspondência.