"Por motivos de doença, hoje estamos encerrados. Reabrimos amanhã". Colocado à porta da conceituada Padaria Formosa, em Nevogilde, no Porto, o aviso aos clientes tentava esconder a tragédia. Manuel Ferreira, de 57 anos, e Jorge Ferreira, de 63, tinham sido esfaqueados até à morte, alegadamente por um irmão de ambos, um professor do ensino secundário, que mais tarde tentou o suicídio, também com golpes de faca. A. F., de 53 anos, permanecia ontem internado no Hospital de Santo António, sem correr perigo de vida e sob detenção.
Desavenças por causa de partilhas poderão ter estado na origem do duplo homicídio. Segundo o JN apurou, os desentendimentos vinham agudizando nos últimos tempos e teriam a ver com a distribuição de alguns bens patrimoniais da família, entre os quais a "histórica" padaria, que era gerida por Manuel Ferreira.
Ontem de manhã, pelas 10 horas, o presumível homicida, residente em Fânzeres (Gondomar) - que moradores e conhecidos das vítimas definiram como sendo "afastado" dos dois irmãos - deslocou-se ao estabelecimento, na Rua de Gondarém. No piso superior do edifício, onde residia Jorge Ferreira, terá ocorrido uma discussão entre os três, que rapidamente assumiu contornos violentos. A.F. terá pegado uma faca de cozinha e agrediu os irmãos com vários golpes. As vítimas ainda terão caído pelas escadas, ensanguentadas, desconhecendo-se se foram empurradas ou se se desequilibraram. Quando os elementos do INEM chegaram, um deles ainda apresentava sinais vitais.
Depois do incidente, que terá passado despercebido aos funcionários da padaria, o indivíduo saiu apressado do estabelecimento, entrou na viatura (um Peugeot 205) e pôs-se em fuga. Minutos depois, já na Rua da Restauração, nas proximidades do Hospital de Santo António, a viatura em que seguia despistou-se e embateu num muro.
Falou em "depressão"