O Sporting apurou-se para os quartos-de-final da Taça UEFA com a vitória obtida ontem sobre um fraco Bolton, graças um excelente golo de Pereirinha. A exibição dos leões ficou, no entanto, muito aquém do esperado, ante um adversário que pouco ligou ao jogo e que não mostrou argumentos para discutir o resultado.
Ter posse de bola para evitar que o Bolton tivesse ensejo de fazer uso do perigoso jogo aéreo e, ao mesmo tempo, ser rápido nas transacções defensivas por forma a minimizar os tempos de posse de bola do adversário. Era, claramente, essa a receita de Paulo Bento para passar a eliminatória. Mas o início do jogo foi exactamente o contrário do que o técnico leonino pretendia.
Nos primeiros dez minutos, o Bolton mandou no jogo, atacou, trocou a bola e rematou mesmo à baliza de Patrício. E esses foram mesmos os únicos minutos do primeiro tempo em que a velocidade esteve em campo. Depois, foi um bocejo contínuo...
O Sporting, como lhe competia, assentou ideias, começou a trocar a bola, mas a enormidade de passes falhados impediu que o jogo tivesse uma qualidade perto do aceitável. É que, mesmo quando os leões se instalaram por completo no meio-campo adversário, qualidade foi mesmo algo que esteve extremamente afastado das quatro linhas de Alvalade. Perante um Bolton extremamente acessível, a equipa de Paulo Bento não conseguia, por vezes, encontrar o caminho para progredir no terreno e, por outras, parecia querer adormecer o jogo, revelando uma gritante falta de ambição, típica de quem está contente com o empate sem golos. E se é verdade que esse resultado dava a passagem aos quartos, também era um risco.
O rumo dos acontecimentos variava entre uma excessiva lateralização do jogo, os passes falhados e três ocasiões de perigo que os leões criaram, todas elas com a participação de Liedson e Vukcevic. Mas exigia-se bem mais ao Sporting, perante um adversário que só de bola parada e sempre pelo ar conseguiu levar alguns problemas à área de Rui Patrício, e a insatisfação sentia-se nas bancadas.