Há quem diga que é a última oportunidade para o diálogo - hoje, o Ministério da Educação e dirigentes sindicais voltam a sentar-se à mesma mesa para discutir a avaliação de professores, depois de 100 mil docentes terem participado na Marcha da Indignação, sábado passado.
Após dois meses a fazer pequenas cedências no processo, as dúvidas acentuam-se sobre se Lurdes Rodrigues terá disponibilidade para novo recuo. É que, na terça-feira, as duas partes chegaram a falar de um entendimento, mas anteontem a ministra voltou a endurecer o discurso. Resultado ontem, Mário Nogueira manifestou-se "surpreendido" com o "recuo" do Governo.
"O Ministério assumirá as suas responsabilidades e nós as nossas", defendeu, reafirmando que Jorge Pedreira tinha mostrado "sinais de abertura" na terça--feira. As condições da Fenprof são, no entanto, difíceis exige a suspensão do processo este ano lectivo e a sua aplicação a termo experimental no próximo.
Mário Nogueira encara a reunião de hoje como a "última oportunidade" de a equipa de Lurdes Rodrigues provar capacidade de diálogo. Já o secretário-geral da Federação Nacional de Educação (FNE), mais moderado, espera sair do encontro esclarecido sobre as formas de simplificação do processo, anunciadas anteontem pela ministra da Educação. "Vamos ouvir que perspectivas e disponibilidade tem o Ministério", afirmou à Lusa João Dias da Silva.
Também a condicionar o ambiente do encontro está o comício de apoio ao Governo, marcado por José Sócrates para amanhã, no Porto. Ontem mesmo, a convocação para o mesmo local de um "protesto espontâneo" já circulava nos telemóveis dos docentes. O caso levantou ontem críticas do líder do PS/Porto "É mais uma demonstração de práticas anti-democráticas", disse Renato Sampaio, falando de tentativa de condicionamento do Governo.