Carolina Salgado garantiu ontem, no julgamento do Apito Dourado, que Valentim Loureiro pedia a Pinto da Costa para interceder junto de Pinto de Sousa para este nomear árbitros pretendidos pelo Gondomar SC. Relatou alegados jantares a quatro e com cada um daqueles dirigentes no restaurante do major e referiu até uma conversa azeda na "sala Vip" do Estádio do Bessa. Sobre a data deste eventual encontro, a ex-companheira do líder portista arriscou dizer que terá sido durante um jogo Boavista-Sporting, na temporada 2003/2004, no qual até esteve com "um cachecol do Boavista", mas acabou por concluir não ter certeza da data, tendo até avançado a hipótese de ter sido num Boavista-F. C. Porto.
Ao ouvir as palavras da testemunha - que declarou ao tribunal ter a profissão de escritora -, Pinto de Sousa e o seu advogado, João Medeiros, não esconderam um sorriso, pois apanharam de imediato contradições, através dos calendários cruzados dos jogos do Gondomar (2.ª Divisão B) e Boavista (Superliga).
É que tanto a data do Boavista--F. C. Porto (27 de Outubro de 2003) como a do Boavista-Sporting (17 de Abril de 2004), parecem incongruentes com a versão da testemunha quando esta diz que Valentim reclamava dos árbitros ao líder do respectivo conselho. Porque em Outubro o Gondomar havia ganho o jogo no dia anterior e em Abril já se estava no final da época, não havendo interesse a acautelar.
Depois, Carolina não soube explicar por que razão o major tentava servir-se de Pinto da Costa para influenciar Pinto de Sousa. "Terá de lhe perguntar. Eu só deduzo que era intermediário", respondeu a testemunha. "Eu ouvi o senhor major dizer ao Jorge Nuno 'vê lá se falas ao Zé'", acrescentou.
Depois, Carolina Salgado não teve dúvidas em dizer que ouviu conversas sobre "gajos que não estão a portar-se bem", depreendendo que o major estaria a referir-se a árbitros que "não beneficiavam o Gondomar", mostrando-se "irritado" e "descontente". Diz ainda que escutou expressões como "prendinhas para os gajos [árbitros]".