Um estudante que impediu a assistência de colegas à professora de Francês agredida no Carolina Michaëlis, após ter retirado um telemóvel a uma discente, deverá ser suspenso por um período inferior ao máximo legal (10 dias), sujeitando-se a trabalho comunitário nesse espaço de tempo. O relatório do Conselho Disciplinar de Turma já foi entregue ao Conselho Executivo e a hipótese de uma segunda suspensão deverá ser posta de lado por falta de provas.
Uma vez que se trata de um processo interno, a Direcção-Geral de Educação do Norte (DREN) não tem uma intervenção directa, ao contrário do que sucedeu no caso das transferências de escola da Patrícia, a alegada agressora, e do Rafael, o aluno que filmou tudo e colocou as imagens no site YouTube. No entanto, Margarida Moreira, directora da DREN, já leu a conclusão do relatório e, segundo contou ao JN, não acredita que o segundo caso resulte em sanção disciplinar, simplesmente por falta de prova. As próprias filmagens contribuíram para determinar a culpa do aluno que será suspenso. "Alguém puxa o braço a alguém", sublinha Margarida Moreira.
A instrutora do processo foi escolhida a partir do Conselho Disciplinar de Turma, órgão formado por professores e representantes dos pais e alunos. Nesse contexto, as conclusões retiradas pelo Conselho Disciplinar costumam ter correspondência na decisão final do Conselho Executivo. Em último caso, o Executivo pode pedir um segundo parecer ao Conselho de Escolas sobre a decisão que pretende tomar. Ontem mesmo, os alunos do 9.º C, a antiga turma da Patrícia, esteve reunida com a directora de turma para uma troca de reflexões e algumas chamadas de atenção. "A turma não sairá incólume pelo facto de a maioria não sofrer sanções disciplinares", afirma Margarida Moreira.
Os momentos de reflexão a que os alunos do 9.º C têm sido sujeitos incidem sobre, segundo Margarida Moreira, "o que fizeram" e "o que lhes fizeram", resultado da exposição pública que ganharam os protagonistas.