Uma das principais testemunhas do processo em que Avelino Ferreira Torres vai ser julgado, no próximo dia 16, por acusações de corrupção, extorsão, peculato de uso e abuso de poder, está desaparecida. José Faria, antigo motorista do ex-autarca do Marco de Canaveses e apontado como "testa-de-ferro" nos negócios imobiliários do agora vereador em Amarante, não é visto pela família desde o passado sábado. Foi já participado o desaparecimento na GNR do Marco de Canaveses. Fonte policial explicou, ao JN, que já remeteu a notificação do desaparecimento ao Ministério Público do Marco de Canaveses. Também a Polícia Judiciária, que investigou o autarca, está ao corrente do caso.
Familiares de Faria garantem que a testemunha está algures em Santos, no Brasil. "É estranho, porque o meu irmão não tem dinheiro para tal viagem", disse, ao JN, Joaquim Faria, irmão de José. Uma outra fonte familiar explicou que o funcionário autárquico "denotava um grande nervosismo" desde há algumas semanas. "Também tinha os credores à perna", acrescentou a mesma fonte sobre o homem que, em Agosto de 2005, tentou o suicídio com um tiro na cabeça, justificado mais tarde por alegados problemas com o Fisco, criados na sequência de negócios em nome de Ferreira Torres.
José Faria foi arrolado como testemunha, principalmente para sustentar acusações por três crimes de abuso de poder relativas à aquisição de terrenos que viriam a aumentar de valor após alterações ao PDM. Durante o processo, mudou várias vezes de versão, mas acabou por prevalecer a desfavorável a Avelino.
Por causa destes negócios, Assunção Aguiar, antiga secretária pessoal de Avelino, requereu a constituição de assistente no processo e pediu que José Faria passasse a arguido. Sem sucesso, tanto na fase de instrução como num recuso na Relação do Porto. Posteriormente, o próprio Ferreira Torres apresentou participação-crime contra o procurador do processo, Remísio Melhorado, na Procuradoria Distrital do Porto, por denegação de justiça e prevaricação, por não ter constituído arguido José Faria. O caso foi arquivado.
António Orlando e Nuno Miguel Maia