Maria das Dores Cruz não ouviu as palavras do juiz, nem soube de imediato a pena à qual foi sujeita 23 anos de cadeia por ter "encomendado" e "premeditado" a morte do seu marido, Paulo Pereira da Cruz.
A figura do jet set português ainda se encontra no Hospital Prisão de Caxias, depois de uma alegada tentativa de suicídio, no último fim-de-semana, pelo que não escutou as palavras "crueldade", "perversidade" e "hediondo", que o juiz Carlos Alexandre utilizou para classificar o crime ocorrido em Janeiro de 2007.
Maria das Dores foi considerada "autora material" e condenada pelo crime de homicídio qualificado, enquanto que os executantes do delito foram condenados a penas inferiores. João Paulo Silva, ex-motorista da família Cruz e a quem a viúva solicitou, a troco de dinheiro, que matasse o seu marido, foi condenado a 20 anos de prisão, num cúmulo jurídico de 19 anos pelo crime de homicídio qualificado e dois anos por furto qualificado, uma vez que os bens do empresário, como a carteira e telemóvel foram roubados na altura do acto. João Paulo Silva foi ainda condenado à pena acessória de expulsão do território nacional, para o seu país de origem, Brasil. Já Paulo Horta, convocado por João Paulo Silva para o ajudar na tarefa de pôr cobro à vida do empresário, irá cumprir 18 anos de cadeia.
No final da sentença, o juiz não quis tecer grandes comentários. "Não vale a pena tendo em conta um crime tão hediondo", atirou defronte dos dois arguidos João Paulo estava estático e Paulo Horta chorava; pouco depois também a sua mãe fez ecoar gritos de dor na sala de audiências. A mãe de Paulo Horta não se conformou com a pena e chorou, contrastando com o sorriso, embora discreto, dos familiares de Paulo Pereira da Cruz.
"Foi a pena possível, mas o meu irmão não volta", disse João Pereira da Cruz. Já o pai, visivelmente emocionado, confidenciou que já perdoou à nora "Mas isso não quer dizer que esteja inocentada", afirmou, realçando que o neto, ao seu cuidado, está ainda muito frágil, mas que já "perdeu os afectos pela mãe".