O rasto de destruição estendeu-se por mais de dez quilómetros. Um tornado atingiu, ontem de manhã, os concelhos de Santarém, Alcanena e Torres Novas, deitando por terra, à sua passagem, casas, empresas e árvores. Sete pessoas ficaram feridas, três outras tiveram que ser realojadas. O vento danificou duas dezenas de habitações (cinco das quais ficaram sem condições de albergar moradores), sete empresas foram atingidas e quatro dezenas de viaturas registaram danos graves. Sem certezas absolutas - que só serão confirmadas após uma análise minuciosa aos locais - o Instituto de Meteorologia confirmava, ao final da tarde, que tudo indicava tratar-se de um tornado. Em tudo idêntico a outros fenómenos que, nos últimos três anos, têm acontecido naquela zona.
Em desespero, Ventura Ferreira Bento, de 64 anos, chorava a perda da empresa que levou uma vida a construir e que, em poucos segundos, viu desaparecer no ar. "Estava no armazém quando ouvi um barulho enorme e, pelas janelas vi ramos e sobreiros pelo ar", contou, sublinhando que temeu, de imediato, o pior. O armazém foi, pouco tempo depois, atingido pelo tornado. "A minha sorte foi que uma coluna caiu e arrastou-me para o chão, de onde vi o telhado a ser levado pelo ar e o resto do armazém a cair", afirmou. O telhado aterrou a cerca de 300 metros dali. Um outro empresário, em Amiais de Baixo, ficou também com o negócio devastado. Os dois principais pavilhões, onde guardava centenas de milhar de euros de madeira, foram deitados por terra. "Em dez segundos desapareceu tudo", contou Eduardo Parreira, o administrador, frisando não saber, ainda, quando terá condições para retomar a laboração da empresa.
Na pequena localidade de Canal, em Santarém, os habitantes mostravam-se petrificados com a destruição. Ali, poucas foram as casas poupadas pelo tornado. Os telhados voaram e, em muitos casos, as telhas atingiram os automóveis mais próximos. Árvores foram arrancadas pela raiz e atingiram alguns dos edifícios, destruindo janelas e paredes. "Isto parecia o demónio à solta", afirmava uma moradora, de olhos postos na galera de um camião que o vento deixou voltada de rodas para o ar. Dezenas de pessoas, entre bombeiros e funcionários das autarquias afectadas, acorreram aos locais, ajudando os moradores a reparar as situações. Esta manhã, o ministro da Administração Interna partipa numa reunião, no Governo Civil de Santarém, para fazer o balanço da situação.
* Com AS
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