Areunião da Câmara Municipal de Lisboa (CML) de ontem, à porta fechada, teve uma visita-surpresa José Miguel Júdice, indigitado pelo Governo para presidir à sociedade que vai gerir o projecto da frente ribeirinha da cidade, e Rolando Borges, presidente da Parque Expo, entidade que elaborou a estratégia de intervenção, foram apresentar aos vereadores as linhas-mestras do projecto. E, a avaliar pelas reacções que suscitaram, o debate agendado para a próxima quarta-feira - dia em que a autarquia deverá pronunciar-se sobre este projecto - promete ser aceso.
O presidente da CML, António Costa, considerou que a apresentação "permitiu conhecer as intenções" do Governo para as zonas de Santa Apolónia/Cais do Sodré e Belém/Ajuda, bem como o modelo institucional proposto uma sociedade, idêntica ao modelo Polis, mas que, nesta fase, "a CML já comunicou ao Estado não ter condições para integrar".
Carmona Rodrigues, ex-presidente da autarquia e vereador independente, estranha que não tendo a CML participação na sociedade seja chamada a pronunciar-se sobre a sua constituição. E teme que isso seja "um cheque em branco ao Governo e à CML para avançarem precipitadamente". O vereador considera que se está a "andar com a carroça à frente dos bois", quer pelo facto de o modelo da sociedade não ter sido ainda discutido, quer por estar prevista "uma lista de obras muito pormenorizadas" e "imensos ajustes directos".
Margarida Saavedra, do PSD, também se mostrou preocupada com o facto de a frente ribeirinha estar a ser "fragmentada" e de se "perder uma oportunidade de ter uma visão de conjunto para a zona", classificando o projecto do Governo de plano de intenções.
Também Helena Roseta, vereadora independente, considerou que este projecto "não é um plano estratégico" - que obrigaria a discussão pública e a aprovação na Assembleia Municipal - e manifestou "muitas dúvidas" em relação ao processo e à forma de intervenção. Roseta considera esta sociedade "excedentária" e classificou de "desperdício" alguns dos custos que irá acarretar, como os 4,4 milhões de euros para funcionamento (um milhão só para pagar aos administradores, três executivos) e oito milhões de euros para a Parque Expo gerir o empreendimento, que deverá estar pronto em 2010.