Um dos nomes maiores da história do cinema americano, autor de títulos que ficarão para sempre na memória de quem os viu, como a trilogia de "O padrinho" ou "Apocalypse now", Francis Ford Coppola tem feito uma longa travessia do deserto, após os problemas financeiros que se seguiram à falência do projecto de um estúdio de tipo novo, a Zoetrope, e ao fiasco nas bilheteiras de uma obra que hoje se percebe estava apenas demasiado adiantada em relação ao seu tempo, "Do fundo do coração".
Era, pois, com enorme expectativa que se esperava a estreia do novo filme, "Uma segunda juventude", dez anos após "The rainmaker", uma das suas obras mais convencionais e menos estimulantes.
O filme baseia-se num romance do romeno Mircea Eliade e desenrola-se e foi rodado na Roménia, por sinal um dos territórios mais excitantes da geografia actual do cinema. Passado entre o período imediatamente anterior à Segunda Guerra Mundial e a actualidade, "A segunda juventude" joga, no entanto, com os paradoxos do tempo, oferecendo-nos uma personagem e uma história únicas, no domínio do maravilhoso e do fantástico.
Tudo começa quando a personagem central, um velho professor, é atingido por um raio, ao atravessar a rua durante uma tempestade. Mas, em vez de morrer, como seria "natural", o seu corpo e o seu espírito sofrem uma mutação inexplicável, que o tornam no centro de uma disputa pelo seu estudo, que o tornarão alvo de Hitler ou, mais tarde, da própria CIA…
Naturalmente, uma breve descrição da história não resume o que de mais brilhante e subtil se encontra no interior da obra. É isso que distingue os grandes filmes, e "A segunda juventude" é, seguramente, um grande filme, um dos mais belos e profundos ensaios sobre a Humanidade de que há memória, em qualquer forma de expressão criativa. Um dos aspectos mais fascinantes da visão de "Uma segunda juventude" é perceber por que razão Coppola se interessou por esta obra. Ou mesmo, até, em que medida a personagem central, prodigioso Tim Roth, é uma projecção do próprio Coppola. O filme representaria, assim, a "segunda juventude" do realizador, a forma dele dizer que há sempre uma nova oportunidade e que se deve esperar por ela. Na vida, no amor, no cinema.