Até final da legislatura o Governo quer criar um Centro de Recursos de Protecção Civil. O objectivo é acabar com a precariedade laboral de equipas especializadas como a Força Especial de Bombeiros (FEB) - os vulgarmente chamados "canarinhos", elementos helitransportados que actuam na primeira intervenção a incêndios. Equipas que actualmente têm contratos com associações de bombeiros, apesar de serem na prática funcionários da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
Face à "complexidade técnica, jurídica, profissional e organizacional do novo projecto", que envolverá também a Escola Nacional de Bombeiros, o Ministério da Administração Interna decidiu celebrar um protocolo com o Instituto Superior de Ciências do Trabalho e Empresa (ISCTE), para propor o modelo adequado. O acordo não está ainda assinado e a Secretaria de Estado da Protecção Civil (SEPC) não se compromete, por isso, com prazos, adiantando apenas que o trabalho deverá decorrer "até final do ano".
No total, serão abrangidos cerca de 500 elementos (ver caixa ao lado). Além de reconhecer profissionais que têm vivido na incerteza, o projecto implicará uma profunda reforma na organização e gestão da Escola de Bombeiros, associação privada sem fins lucrativos com dois associados - a Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) e a Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC). Duarte Caldeira, presidente da Liga e simultaneamente da escola, assegura haver "total concordância" quanto à necessidade de evolução do actual modelo.
Pretende-se que a instituição a criar venha a integrar o futuro centro de recursos e a escola como diferentes unidades orgânicas, a que se juntarão outras que o ISCTE venha a propor. Como seja, exemplifica Duarte Caldeira, um centro de investigação. "Consideramos de extrema importância o recurso a uma entidade externa com elevado prestígio científico e cujo olhar não esteja influenciado pelo envolvimento institucional".
Para o presidente da Escola, seria "desejável" que o modelo ficasse fechado até final de Outubro, para assegurar a sua plena implantação até final do ano.