Três dias depois de se terem defrontado para o campeonato, o F. C. Porto voltou a derrotar o Vitória de Setúbal, garantindo a presença na final da Taça de Portugal, a 18 de Maio. Aguarda, agora, o desfecho do clássico entre o Sporting e o Benfica. Em termos concretos, foi um jogo fácil para o tricampeão nacional, um autêntico passeio nas águas calmas do Sado, tal a qualidade do jogo portista, tal a eficácia e o aproveitamento dos erros adversários. Num desafio bem disputado, melhor que o de sábado porque os treinadores apostaram nos melhores jogadores, os sadinos só deram luta na primeira meia hora. Depois, acusaram a pressão e consentiram três golos por culpa própria. Dois deles marcados por Lucho González, o melhor em campo.
Ainda ontem deu para ver que o F. C. Porto está quilómetros à frente da concorrência. É uma equipa que sabe trocar a bola em carrossel, que joga de olhos fechados, fria e calculista e que sabe desgastar psicologicamente o adversário. Foi essa mistura fina de elementos que serviu de sustentação para abrir a teia fechada da equipa sadina nos primeiros instantes. Carlos Carvalhal povoou o miolo, apostou numa pressão forte no meio-campo, tentou segurar Lucho González com Ricardo Chaves, mas os azuis e brancos depressa se superiorizaram com as subidas vertiginosas de Bosingwa pelo flanco direito. E a teia começou a rasgar.
Do outro lado, o Vitória de Setúbal apostava no contra-ataque, através da velocidade de Pitbull, mas o plano saiu furado. Só na sequência de lances de bola parada, os sadinos criavam perigo junto da baliza à guarda de Nuno, o que é pouco para uma equipa que tinha como objectivo chegar à final do Jamor. Os sadinos aguentaram meia hora aquele jogo de pernas, de marcações constantes, mas depressa ruiram como um castelo de cartas. Primeiro, com Lucho González a estar muito perto dos festejos, contudo, a bola enrolou-se em Auri e saiu pela linha de fundo. Depois, aí sim, o golo. Canto de Raul Meireles e Jorginho a meter a bola dentro da própria baliza.
O erro do lateral esquerdo provocou um efeito de bola de neve e a casa abanou. Depois, ruiu com os jogadores a ficaram ainda mais intranquilos, acusando a expulsão do treinador Carlos Carvalhal ao intervalo. Entraram atordoados no reatamento e sofreram dois golos de rajada. Dois golos de Lucho González, um dos melhores em campo, um jogador de movimentos simples e eficazes. No primeiro, o argentino soube dar a melhor sequência a um cruzamento de Tarik, na direita, com culpas do guarda-redes Eduardo; no segundo, rematou de longe, momentos depois do nervoso Eduardo ter colocado as bola em Quaresma.
Em inferioridade no marcador, Filipe Gonçalves e Bruno Severino entraram para alargar o ataque do Vitória de Setúbal, mas a equipa já estava afogada do ponto de vista psicológico e foi mais o F. C. Porto que esteve perto do quarto golo do que os sadinos do tento de honra. Deu para tudo, até para Jesualdo Ferreira poupar Quaresma e Paulo Assunção para o clássico, do fim-de-semana, com o Benfica. Mas, agora, o grande objectivo é conseguir a dobradinha!