Pinto da Costa não via com total agrado a presença de Pinto da Sousa à frente da arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol (FPF). Isto porque o amigo de infância era conhecido "por se dar bem com os clubes de Lisboa, Benfica e Sporting". A garantia foi dada pelo ex-director-executivo da Liga de futebol, Guilherme Aguiar, no Tribunal de Gondomar, na 27ª sessão do julgamento do processo Apito Dourado.
O antigo homem forte da Liga e actual vereador da Câmara Municipal de Gaia assegurou mesmo que Pinto da Costa chegou a dizer-lhe, antes de 1990, quando ambos eram dirigentes do F. C. Porto, que Pinto de Sousa "não servia". A revelação foi feita no sentido de demonstrar que, em 2002, o então presidente do Conselho de Arbitragem da FPF tinha sido escolha pessoal e exclusiva de Gilberto Madail. "Pinto de Sousa não estava como representante da Associação de Futebol do Porto (AFP). Esse papel cabia a Francisco Costa", explicou.
A testemunha foi chamada por Valentim Loureiro, no sentido de procurar demonstrar que o major não terá tido influência na escolha de Pinto de Sousa para o cargo, utilizando os 20% de votos da Liga. A acusação do Ministério Público sustenta que este apoio era uma das contrapartidas oferecidas por Valentim pela nomeação dos árbitros favoráveis ao Gondomar SC.
"A Liga não teve rigorosamente nada a ver com a escolha de Pinto de Sousa nem qualquer outro titular, porque voluntariamente se colocou de fora. Aliás, as relações com as associações eram tensas porque a Liga retirou poder às associações e era vista como um corpo estranho. A única indicação era a do presidente-adjunto e era estatutária. Não tinha a ver com votos", explicou Guilherme Aguiar, argumentando que a responsabilidade da escolha de Pinto de Sousa foi de Gilberto Madail. "Ele queria ter o controlo sobre as presidências dos órgãos. Porque, se as relações não fossem as melhores, criava problemas na gestão".
O adversário de Valentim nas eleições da Liga, em 2002, sublinhou ainda que as relações entre a Liga e a Associação do Porto não eram as melhores, procurando desmontar a ideia de influência do major sobre aquela. "Os grandes adversários foram sempre a AFP e a Liga. Aliados em ideias eram a Liga e a Associação de Lisboa", disse.