"Não estou lá muito bem de saúde, por causa da boca e dos dentes [destruídos após a violenta agressão de que foi vítima no Brasil]. Mas desde que consiga falar e dizer tudo em tribunal... tudo bem", afirmou, ontem, ao JN, José Faria, pouco depois de ter chegado, escoltado pela Polícia Judiciária, à sua casa no Marco de Canaveses.
A testemunha-chave do processo em que Avelino Ferreira Torres é acusado de crimes de corrupção, abuso de poder, extorsão e peculato, confirmou que vai, hoje, ao Ministério Público, por livre iniciativa, contar aos magistrados tudo o que aconteceu relativo ao seu desaparecimento para o Brasil. Vai reiterar o conteúdo de um faxe enviado no passado dia 15 para o Tribunal do Marco de Canaveses a contar o episódio dessa viagem, feita mediante a promessa de pagamento de 65 mil euros, alegadamente por Avelino Ferreira Torres.
José Faria, que, no Brasil, para onde fora sem avisar a família, requerera protecção especial, tinha ontem à noite a GNR a fazer-lhe segurança à porta de casa. Tem prevista ainda - mas não confirmada -, a concessão de protecção policial 24 horas por dia, através de elementos do Corpo de Segurança Pessoal da PSP, de Lisboa.
Ontem, Faria saiu do avião em Madrid e tinha à espera três inspectores da PJ, afectos ao Gabinete Nacional da Interpol, e três elementos da Polícia espanhola.
A estratégia de retirada do aeroporto de Barajas tinha sido combinada anteontem à noite. Saiu por uma porta alternativa. Os jornalistas foram fintados. Ao JN disse que o levaram "por uns túneis" e que não "foi submetido ao controlo alfandegário". Viajou de carro, com a PJ, até à fronteira de Espanha com Portugal, no distrito de Bragança, sob escolta da Polícia espanhola. Ali, as autoridades do país vizinho deram por terminado o seu papel.