A sala do primeiro andar da sede do PSD foi pequena para tanta gente, muita da qual há muito não aparecia. Manuela Ferreira Leite chegou com meia hora de atraso, entre sorrisos, palmas entusiásticas e beijos que não eram de circunstância. No púlpito lia-se a mensagem "Por Portugal, pelo PSD".
"Esta é a primeira manifestação pública de âmbito nacional do PSD em que participo desde há seis anos", revelou, ao JN, António Capucho. Outra pessoa presente era Leonor Beleza, que não ia à sede desde o avanço de Marques Mendes, em 2005. E lá estavam os amigos cavaquistas Isabel Mota, Rui Carp e Alexandre Relvas, que admitiu estar disponível para ajudar Manuela, nas legislativas, como ajudou Cavaco em 2006, nas presidenciais.
"Esta foi, talvez, a decisão política mais difícil que tomei até hoje", confessou a candidata a líder, num discurso lido duas vezes, a segunda para que os que ficaram fora da sala também o ouvissem. "Incomoda-me muito a falta de respeito com que começam a tratar-nos. Não merecemos", defendeu Ferreira Leite.
A mensagem foi sobretudo para os militantes. Não falou de nomes, mas todos sabiam de quem falava. Apontou a "teia de sucessivas crises internas", explicou que o partido "perdeu a credibilidade" e garantiu que "os portugueses já começam a não nos ouvir".
Apresentada a situação, eis a receita que se resume numa palavra "Responsabilidade". Faltava apenas o apelo, bem centrado nas directas e na consciência de que estas eleições internas não são favas contadas: "Estas eleições não são mais um acto eleitoral ao qual se pode ficar indiferente. Tenhamos consciência de que o resultado é decisivo para o nosso futuro".