Não se espere mais um episódio quente na novela do Apito Dourado quando hoje Pinto da Costa e Carolina Salgado, lado a lado como há muito não se via, forem confrontados no Tribunal de Gondomar com as declarações que proferiram em audiência e que se contradizem. Nem lá dentro, nem cá fora. O superdragão Fernando Madureira já aliviou, em declarações ao JN,as tensões sugeridas pelos seguranças de Carolina, que esperavam tumultos em frente ao tribunal. O líder da claque do F.C. Porto disse que nem sequer tenciona estar no tribunal. Claro, admite, pode haver portistas que espontaneamente decidam aparecer. Nestas coisas, de vez em quando surgem surpresas.
Certo é que a ex-companheira de Pinto da Costa deverá manter que foi na qualidade de companheira que assistiu a jantares com Pinto da Costa, Valentim Loureiro e Pinto de Sousa, em que alegadamente se serviram combinações de árbitros para jogos do Gondomar. Carolina jurou-o em tribunal no passado dia 13 de Março e até citou o nome do restaurante "Degrau Chá", na zona do Foco, no Porto, um estabelecimento que pertence à família de Valentim Loureiro, um dos 24 arguidos no processo Apito Dourado de Gondomar.
O líder do F.C. Porto também jurou em tribunal, a 22 de Abril, ser tudo mentira. E mais disse achar "ridículo que o senhor major, que tinha uma relação privilegiada com o senhor Pinto de Sousa", precisasse dele para interceder pela nomeação de árbitros.
Ora, como as declarações de Pinto da Costa eram "completamente diversas" das de Carolina Salgado, "havendo notórias contradições", o Ministério Público (MP) pediu, "para cabal esclarecimento da situação", uma acareação entre ambos.
Relutante, o juiz-presidente Carneiro da Silva acabou por aceitar o pedido do MP. Relutante porque a experiência lhe diz que as testemunhas costumam manter as declarações anteriores, servindo estas sessões de pouco.