Meia centena de dirigentes da América Latina e da União Europeia iniciaram ontem, em Lima, capital do Peru, uma cimeira intercontinental consagrada ao aquecimento climático e à pobreza na região, que é caracterizada por grandes desigualdades sociais.
Os cerca de 50 chefes de Estado e de Governo que participam na 5.ª Cimeira América Latina-Caraíbas-União Europeia (UE-ALC) deverão aprovar a chamada "Declaração de Lima", com recomendações em matéria climática assim como propostas para resolução da crise alimentar e do tráfico de droga.
A União Europeia (UE) tentará aproveitar a cimeira para reforçar relações comerciais com uma América Latina em pleno crescimento económico, que duplicou o volume das suas exportações para a Europa entre 2000 e 2007, e que representam mais de 91,8 mil milhões de euros. No entanto, a América Latina alberga 194 millhões de pobres (36,5% da população) e 71 millhões de indigentes (13,4%).
Os chefes de Estado e de Governo de ambos os lados do Atlântico, que participam nesta cimeira, trabalharam ontem distribuídos por oito painéis temáticos.
Os países da região estão fortemente divididos entre adeptos do liberalismo e partidários da Esquerda radical, estes liderados pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez. Por ocasião do "Fórum dos empresários", preparatório desta cimeira, o chefe de Estado peruano, Alan Garcia - que lidera uma política liberal no seu país - criticou os regimes populistas da região, condenando-os por "administrarem a miséria". Querendo ser optimista, o presidente do Brasil, Lula da Silva, afirmou que nunca houve "tanta democracia na América Latina".