Parte da linha ferroviária do Tua vai ficar debaixo de água, quer a barragem prevista para aquele rio seja construída à cota máxima ou à mínima (195 ou 160 metros). Garantia dada pela EDP, vencedora do concurso, no final da reunião de ontem, em Murça, que juntou à mesa responsáveis daquela empresa, autarcas dos cinco municípios abrangidos pelo empreendimento, e a Estrutura de Missão do Douro. A EDP assume, no entanto, que terá de encontrar uma alternativa de mobilidade para as pessoas que ficarem privadas de viajar no troço submerso.
António Castro, da EDP-Produção, negou ontem a possibilidade de ser estudada uma solução que permita preservar toda a linha, nomeadamente a parte mais espectacular, entre a Brunheda e o rio Douro. O responsável garantiu que a cota da albufeira "ainda não está definida", o que deverá acontecer em sede de análise do Estudo de Impacte Ambiental, que já deu entrada, na passada sexta-feira, no Instituto da Água (INAG). "Qualquer que seja a cota que constava do caderno do concurso promovido pelo Estado terá sempre impactos na linha".
Segundo o economista da EDP, o facto da via-férrea ficar debaixo de água "não quer dizer que desapareça", do ponto de vista de transporte de passageiros e turistas. "Uma parte da linha ficará desactivada, pelo que haverá que arranjar alternativas que compensem e sirvam claramente as pessoas", realçou. A EDP, sublinhou, "irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para levar o projecto avante", desde que asseguradas "as necessidades dos municípios e o próprio desenvolvimento da região".
É neste sentido que a empresa decidiu participar, ontem, em Murça, na segunda reunião de autarcas dos concelhos abrangidos pela barragem Alijó, Murça, Carrazeda de Ansiães, Vila Flor e Mirandela. "Registamos com agrado uma mudança do comportamento da EDP na participação neste tipo de processo", referiu o anfitrião, João Teixeira, explicando que desta forma será de esperar que a barragem signifique "mais vantagens para as gentes do Vale do Tua".
António Castro assumiu que a barragem é "um projecto estruturante e importante" para a EDP, mas deseja que resulte em "bem para todos". Para os clientes da empresa que vão ter energia "limpa, renovável e barata"; para a região que poderá ter ali "um motor de desenvolvimento".