Os moradores do bairro de Santa Tecla, em Braga, saíram ontem à rua, em protesto contra o tráfico e consumo de droga. Acusam as autoridades policiais e camarárias de nada fazerem por um drama social que, naquele bairro, já vitimou, nos últimos anos, sete pessoas pela toxicodependência. De resto, na semana transacta, um jovem morreu electrocutado numa cabina da EDP, situada naquele bairro, onde se presume que fosse local de esconderijo de droga.
Alcunham o bairro de um novo "Casal Ventoso", onde a droga - e assaltos - tomou conta de muitas famílias, habitações, ruas e espaços verdes, sendo visível o cenário confrangedor de seringas, pratas e outros restos de sinais visíveis do mundo da droga espalhados por tudo quanto é sítio.
Os inquilinos, na sua maioria de etnia cigana, quase todos feirantes, sentem-se agastados com a "indiferença" das forças policiais no combate ao crime da droga. "Isto é um mercado da droga 24 horas por dia. Aqui, diariamente, aparecem os traficantes que transaccionam o produto pela noite dentro", disse José Gomes, um dos mentores do movimento da contestação popular, pugnando pela activação de um posto móvel da PSP no bairro de Santa Tecla, durante 24 horas por dia.
"Temos muita podridão e miséria neste bairro; as crianças não podem sair à rua para brincarem e, durante a noite, ninguém consegue dormir com a presença dos traficantes", acrescentou.
Por outro lado, atiram culpas para a BragaHabit, empresa municipal que gere o bairro de Santa Tecla, por permitir alojar pessoas ligadas à toxicodependência, conforme testemunho de Paulo Jorge.