O Manchester United conquistou, ontem, em Moscovo, o seu terceiro título europeu, ao derrotar o Chelsea no desempate por grandes penalidades (6-5), depois do empate a um golo registado no final do prolongamento. Como sempre acontece neste tipo de decisões, a primeira final inteiramente inglesa da Liga dos Campeões ficou marcada pelo drama. Depois de marcar o golo que desfez o nulo, ainda na primeira parte, Cristiano Ronaldo esteve perto de passar de herói a vilão, pois falhou a sua tentativa nos penáltis, mas os azares de Terry, que escorregou no momento do remate que daria o título ao Chelsea, e a seguir de Anelka, que permitiu a defesa de Van der Sar, deixaram a taça nas mãos do United.
Antes dos penáltis, o empate ajustou-se perfeitamente ao que se passou durante os 120 minutos de jogo. A equipa Old Trafford foi melhor até ao intervalo, mas na segunda parte os londrinos justificaram a igualdade que lhes caiu do céu, a poucos segundos do descanso, pelos pés de Lampard. Ronaldo abriu o marcador, aos 26 minutos, num cabeceamento perfeito, e esteve em grande destaque na metade inicial da partida. O 42.º golo da época do internacional português, oitavo nesta edição da Liga dos Campeões (melhor marcador da competição), foi curto para a produção ofensiva neste período dos "red devils", que desperdiçaram várias ocasiões para fazer o 2-0, e sofreram o tento do empate de forma inesperada, já com o intervalo à vista, numa jogada feliz em que a bola sobrou para Lampard depois de dois ressaltos.
O Chelsea justificou esse golpe de sorte durante toda a segunda parte. Os "blues" passaram a controlar a partida e só o poste impediu que Drogba colocasse a equipa londrina em vantagem. A estrela de Cristiano Ronaldo brilhou menos nesta fase do encontro, e o ataque do United ressentiu-se, já que Tevez e Rooney foram sempre bem vigiados por Terry e Ricardo Carvalho, autor de uma boa exibição na segunda final da "Champions" em que participou, depois de ter ajudado o F. C. Porto a conquistar o troféu em 2004.
No prolongamento, já com Nani em campo, o Manchester United subiu outra vez de produção, mas voltou a ser do Chelsea a grande oportunidade para marcar, num remate de Lampard que só a barra impediu de se transformar em golo. Nos minutos finais, os nervos apoderaram-se das duas equipas, e Drogba acabou por ser expulso, após agressão a Vidic, num lance em que os jogadores do Chelsea protestaram, de forma exagerada, uma bola devolvida para fora por Tevez. Tal como acontecera pela última vez em 2005, quando o Liverpool ganhou a final ao Milan, a "Champions" voltou a ser decidida nos penáltis. Ronaldo foi o primeiro a falhar, denunciado o remate e permitindo a defesa de Cech, e o Chelsea parecia a caminho de uma vitória inédita, só que o azar bateu à porta de Terry na última grande penalidade. O central inglês não contou com a chuva que na altura caía de forma incessante na capital russa, e escorregou na hora do remate, disparando para fora, para desespero do patrão Roman Abramovich, que terá de esperar pelo menos mais um ano pelo tão ansiado título europeu do Chelsea...
A seguir, Anelka também não foi capaz de bater Van der Sar, e já passava da 1.30 da manhã em Moscovo, quando Giggs, na noite em que bateu o recorde de jogos pelo United (759), levantou a terceira Taça dos Campeões Europeus da história dos "red devils". Cristiano Ronaldo e Nani também fizeram a festa, seguindo amanhã, tal como Ricardo Carvalho e Paulo Ferreira (ficou de fora no jogo de ontem), para o estágio de preparação para o Euro 2008 que a selecção portuguesa está a realizar em Viseu.