| foto RICARDO ESTUDANTE/Global Imagens |
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| Figueiredo, o polícia que toma conta de 62 idosos |
Rui Figueiredo, 37 anos, é o polícia que se tornou familiar de cada um dos 62 idosos que acompanha. E luta, todos os dias, por um objetivo: combater a solidão e a exclusão social na velhice. No silêncio das suas casas, os idosos esperam, ansiosos, a visita de Figueiredo. A única que receberão naquele dia, ou mesmo naquela semana ou mês. "É um trabalho que faço com gosto", repete o agente.
Salete é considerada por Rui Figueiredo como "o retrato deste trabalho". Com medo de um sobrinho, esquizofrénico, que a ameaçava, Salete ia dormir para a esquadra policial, a meio da noite. Com ela, pela mão, levava sempre "as meninas": Rosário, 40 anos, e Fátima, 60, deficientes mentais. "A Polícia foi a única que me deu a mão. Hoje sinto-me amparada", conta, ao JN, feliz por ter conseguido, com a ajuda da PSP, que o sobrinho iniciasse um tratamento psiquiátrico.
Violência doméstica
Dos idosos que são acompanhados pelo programa, a maior fatia (22 - 19 mulheres e três homens) é ou já foi vítima de violência doméstica, desencadeada, na maioria, por filhos. Os restantes 40 recebem o apoio da PSP devido a situações de vulnerabilidade, de desavenças familiares ou de isolamento.
Rui Figueiredo é o único agente destacado para o programa. Sabe que tem mais 62 vidas que dependem, em grande parte, do seu apoio. "Assumimos uma responsabilidade que, depois, já não é a instituição que está em causa, somos nós", sublinha.