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Comboio arrastou carro matando quatro pessoas

Automóvel com sete ocupantes foi apanhado numa passagem de nível sem guarda

Publicado

REIS PINTO
 

Quatro pessoas morreram e três ficaram feridas numa passagem de nível sem guarda, em Santa Leocádia, Baião. Carro foi arrastado por comboio mais de 100 metros e só parou numa ponte com 70 metros de altura.

 
foto Leonel de castro/JN
Comboio arrastou carro matando quatro pessoas
 

O acidente ocorreu, cerca das 5.50 horas, na linha do Douro. A composição, que ligava a Régua ao Porto, colheu um Mercedes 190, onde seguiam sete pessoas. Pararam a meio da ponte das Quebradas, que tem cerca de 70 metros de altura.

O carro era conduzido por Sérgio Vieira Pereira, de 55 anos, que transportava Manuel Guedes, presidente da Junta de Freguesia de Santa Leocádia, Filomena Carvalho Pereira, de 63 anos, Manuel Joaquim Lucas, de 64 anos - que morreram no local - a esposa, Maria José Vieira Lucas, de 60 anos, e dois netos, Marco António Monteiro Soares, de 16 anos (o ferido mais grave) e Pedro Monteiro, de 15 anos.

Os três mais velhos e os jovens (são primos) tinham apanhado boleia até à camioneta que os levaria numa excursão a Fátima, organizada pela Câmara de Baião. "Aquela passagem é muito perigosa. Nunca houve acidentes, mas os sustos são constantes. Por isso, o meu pai já tinha oferecido terreno para eliminarem a passagem. Ele dizia que não queria ver um filho a morrer naquele sítio. Acabou por ser ele", referiu Luís Monteiro, o mais novo dos sete filhos de Manuel Lucas.

A travessia está situada no cimo de uma íngreme subida, com fraca visibilidade para a direita, de onde surgiu a composição, que levaria cerca de uma centena de passageiros. "Aquela passagem não perdoa. Temos de estar muito atentos. O condutor deve ter tido uma pequena distracção e, como o carro ia muito pesado, não conseguiu passar. Eu também ia na excursão mas fui buscar o meu carro e eles arrancaram à frente. Vi o comboio a passar e quando cheguei ao cimo da rua, estava parado no meio da ponte e na sua frente dei conta dos faróis do Mercedes acesos", referiu Manuel Faustino.

Orlando Rodrigues, segundo comandante dos Bombeiros Voluntários de Baião, não adiantou causas para o acidente, mas sublinhou que "foi uma sorte o comboio ter apanhado o carro exactamente a meio". "As carruagens iam cheias e a ponte onde o comboio parou tem cerca de 70 metros de altura. Se tivesse descarrilado ia ser muito complicado", referiu.

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