A pouco mais de um ano das eleições autárquicas, o ex-vereador do Ambiente da CDU, Rui Sá acusa Rui Rio de "incompetência" e de "profunda hipocrisia política". Como pano de fundo das críticas, reside o alegado "incumprimento" das deliberações camarárias aprovadas nas diferentes reuniões do Executivo. "Além de demonstrar a efectiva incapacidade de Rui Rio e dos vereadores da coligação, esta situação constitui uma grosseira violação das regras democráticas do funcionamento da Câmara do Porto", alerta o vereador Rui Sá.
As palavras de denúncia estão relacionadas com a proposta sobre os edifícios devolutos e degradados do Porto - que, recorde-se, surgiu, há dois anos, na sequência do assassínio da transexual Gisberta, morta num prédio do Campo 24 de Agosto -, mas a lista da CDU incluiu, ainda, uma série variada de recomendações que, vão desde o levantamento sobre a situação dos terminais das empresas de transporte de passageiros, até à remoção das vigas metálicas ao longo da Avenida da Boavista e, sua substituição por floreiras, passando pelo relatório sobre as zonas degradadas da parte oriental da cidade, em Campanhã (Areias, Furamontes, Ponte do Gato), remunerações auferidas pelos gestores das empresas municipais e "habitações do património" existentes no Porto.
"A CDU não pode pactuar também com o facto de, deste modo, Rui Rio e os vereadores da coligação PSD/CDS não contribuírem para a resolução de importantes problemas da cidade e da sua população, muitos dos quais, arrastam-se ao longo dos anos sem qualquer solução", lê-se no comunicado entregue aos jornalistas.
Em declarações ao JN, o vereador Rui Sá lamentou, igualmente, a "falta de coragem" do presidente do Executivo, já que, em vez de dar andamento às "justas" propostas da CDU, Rui Rio prefere optar pelo "veto de gaveta" .
Perante o rol de críticas, o JN contactou, ontem, o gabinete de Comunicação da Câmara do Porto, mas uma fonte oficial recusou prestar qualquer tipo de esclarecimentos. "O presidente está de férias, o vice-presidente também e o vereador do Urbanismo só chega na segunda-feira".