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Goucha "sem ódio" a quem o apelidou de "apresentadora"

Goucha "sem ódio" a quem o apelidou de "apresentadora"

Apresentador da TVI comentou decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem. Instância judicial determinou que Manuel Luís Goucha não foi discriminado no "5 Para a Meia-Noite".

Sete anos depois de ter apresentado queixa ao Ministério Público por causa de um segmento do programa da RTP "5 Para a Meia-Noite", em que Filomena Cautela o apelidou de "apresentadora", Manuel Luís Goucha comentou no seu blogue a decisão da instância judicial europeia do passado dia 22 de março.

"Esta semana o processo chegou ao fim, entendendo o Tribunal Europeu dos Direitos do Homem que apesar das frases infelizes proferidas em sentença não há provas efectivas que a decisão da juíza tenha sido motivada pelo preconceito. E que a sátira (isto em relação ao caso do programa que está na origem de toda esta demanda), que tem sempre o objectivo de provocar e agitar, é marcada pelo exagero", começou por escrever Manuel Luís Goucha.

"Nada mais há a dizer. Todo este processo acaba aqui. A minha vida segue, sem ódios ou cóleras, balizada por valores que, entendo, devo continuar a cumprir, no respeito por mim próprio, pelo outro e pela sua diferença (...) Redigo que gosto do homem em que me tornei, sabendo que há ainda muito caminho para fazer. E, é claro, que vou continuar a vestir-me e a vestir a Vida com as cores de que gosto", acrescentou ainda o apresentador do programa da TVI "Você na TV".

É necessário recuar até 28 de dezembro de 2009, quando o "5 Para a Meia Noite" ainda era exibido na RTP2, para entender o processo em causa. Nesse programa, a anfitriã Filomena Cautela desafiava os convidados a responder a uma série de perguntas. Uma delas era: "Qual a melhor apresentadora de televisão?" desse ano. A resposta dada como certa era, precisamente, "Manuel Luís Goucha".

Goucha apresentou, na altura, queixa ao Ministério Público por crimes de difamação e injúrias. O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa não deu razão ao apresentador. " Acato o argumento da liberdade de expressão, bem maior da Democracia, porém não posso calar a minha indignação ao perceber através do despacho de quem ajuizou (uma mulher, por sinal) que eu não tinha razão em sentir-me ofendido porque 'todos reconhecem ao apresentador características que refletem atitudes atribuídas ao sexo feminino, tal como a sua forma de se expressar... para além de que o apresentador usa roupas coloridas próprias do universo feminino e apresenta um tipo de programas também eles ligados às mulheres", relembra o apresentador, recordando os argumentos apresentados pela juíza que tomou a decisão de arquivar a queixa.

"A graçola do 'Cinco para a Meia-Noite' deixa de ter importância perante tais considerandos de uma juíza inquinados, em meu entender, pela ignominia do preconceito. Portanto, pelo facto de me vestir de amarelo, laranja, rosa (seja do que for)... e de trabalhar diariamente com e para uma plateia maioritariamente feminina, já justifica que eu seja chamado de apresentadora e tudo o mais que que se queira ao arrepio do meu género", explica ainda Manuel Luís Goucha.

Depois de o caso ter sido arquivado, o apresentador recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, contra o Estado português, alegando ter sido discriminado devido à sua orientação sexual. A decisão final chegou agora, e não lhe deu razão.

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