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"Se a mensagem fosse para a Sofia Ribeiro, tinha usado o nome dela"

"Se a mensagem fosse para a Sofia Ribeiro, tinha usado o nome dela"

O humorista Rui Sinel de Cordes lamenta o "circo mediático" que se criou à volta da sua "reflexão" sobre o cancro no Facebook. E frisa que, ele próprio, já viveu de perto a doença através de familiares e amigos.

"É ridículo eu ter que explicar porque é que fiz aquele post... O que eu fiz foi uma reflexão. Claro que com um toque de humor, mas foi mais uma reflexão do que uma piada", começa por se defender Rui Sinel de Cordes. A publicação que o humorista fez este domingo, no Facebook, a criticar a mediatização do cancro ("cancro vip", como lhe chamou) foi associada por alguns meios de comunicação social ao caso de Sofia Ribeiro, o que o tornou alvo de críticas nas redes sociais.

"Não vou ser hipócrita e dizer que não me lembrei do caso da Sofia Ribeiro quando escrevi aquilo, mas estava longe de ser destinado a ela. Se a mensagem fosse para a Sofia Ribeiro, eu tinha usado o nome dela. Já fiz tantas piadas e já usei tantas pessoas em textos que escrevi, que não era agora que ia deixar de fazer isso", justificou.

Rui Sinel de Cordes faz ainda questão de sublinhar que o seu intuito inicial era criticar "o circo mediático que se está a montar à volta dessa doença, não só com a Sofia Ribeiro mas com muita gente e em todas as partes do mundo".

Ele próprio já lidou com a doença várias vezes na vida. "Com a minha mãe, a minha avó, os meus tios, com amigos... É nojento ver canais de televisão ou jornais a pegar nesta situação e a dizer 'Coitadinha da Sofia Ribeiro que foi atacada'. O que me mete mais nojo é a maneira como os media encaram isto tudo. Há comentadores que estão uma hora ou duas horas a falar da Sofia Ribeiro, sem saber nada do que estão a falar. Há milhares de pessoas a sofrer com isso", aponta.

Perante os comentários mais agressivos de foi alvo, o autor do programa "Very Typical", da SIC Radical, lamenta ainda o facto de os humoristas já não poderem escrever livremente nas redes sociais. "Eu conto sempre que as pessoas sejam o mais inteligentes possível. Mas depois a maioria dessa gente não tem intelecto para tanto. Preferem entrar nesta coisa que há hoje em dia, dos polícias da moral e dos bons costumes. Ainda há uns dias tive a conta bloqueada durante três dias por causa de uma piada qualquer que publiquei. E isto passa-se com outros humoristas em Portugal e no mundo: quando publicam uma coisa já estão a pensar 'Epá, quantos dias de trabalho é que vou perder? O problema destes novos guerrilheiros do Facebook é que, antigamente, quando as pessoas eram estúpidas, sentiam-se um bocado sozinhas, mas agora com as redes sociais os estúpidos encontram-se todos uns aos outros".

"E mais", acrescenta, "eu tenho fotos minhas denunciadas por pornografia, que são apenas fotos em palco. São pessoas que se juntam e se dão ao trabalho de denunciar essas imagens". Sinel de Cordes critica atitudes como essas, especialmente porque o Facebook é, para si, uma ferramenta de trabalho. "É lá que partilho os meus espetáculos e programas. Chegámos a um ponto altamente triste. Estamos na mão das pessoas que não compreendem. É um bocado assustador", conclui.

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