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"Só podia comer três maçãs por dia", revela modelo

"Só podia comer três maçãs por dia", revela modelo

Uma das modelos mais requisitadas escreveu um livro no qual revela o terror que viveu no mundo da moda. Victoire Maçon Dauxerre conta que, a determinada altura, "só podia comer três maçãs por dia".

A ex-manequim francesa de 23 anos conta todos os pormenores sobre o pesadelo que viveu às ordens da indústria da moda no seu livro "Nunca és Demasiado Magra: Diário de uma Top-Model", de forma a ajudar jovens que passam pela mesma situação.

Permitida a comer apenas três maçãs por dia acompanhadas de água com gás, e apenas um pedaço de frango ou peixe por semana. "Ninguém me disse que tinha de perder peso. Disseram-me que em setembro iria à Semana da Moda, que as roupas eram o 32-34 e que tinha de caber nelas", confessa. A certa altura da sua curta carreira, a modelo conta que, com um metro e setenta e oito de altura, chegou a pesar 47 quilos.

"As raparigas dirão que estou a mentir porque querem manter-se no ramo. Elas não falam, porque não podem falar. Existe uma verdadeira lei do silêncio neste mundo", revela.

Victoire deu os primeiros passos numa passarelle aos 18 anos, tornando-se em pouco tempo uma das vinte manequins mais requisitadas do meio. A jovem já desfilou para grandes marcas com DKNY, Miu Miu e Alexander McQueen, percurso este que levou Victoire a aceitar um duro regime alimentar.

Agora, a ex-manequim veste o número 38 e é reconhecida pela sua difícil luta contra a anorexia, entre outros transtornos alimentares, motivo que lhe deu forças para se mostrar ao mundo. Através desta crítica direta à indústria da moda, Victoire ataca os cânones de beleza que obrigam raparigas como ela a atravessar graves problemas de saúde. Para ilustrar no seu livro o sofrimento que passou, a modelo escreve "Quando se tem o rosto pálido, quase verde, vê-se rapidamente que temos um problema".

A magreza extrema é atualmente um problema de saúde público, e alguns países como em Israel, França e Itália procuram alterar a forma como as modelos são tratadas. Sindicatos como o Comité de Estilistas de Moda da América abriram a porta para a discussão mundial.

Em 2012, em Israel, foi aprovada uma lei que proíbe imagens de modelos esqueléticos na publicidade, quer sejam mulheres ou homens. Interditas são ainda fotografias com protagonistas com um índice de massa corporal igual ou inferior a 18,5.

França e Itália também já tomaram medidas para acabar com a promoção da magreza extrema como um ideal de beleza a seguir. No caso da legislação francesa, para além de multas e até mesmo pena de prisão, as manequins são obrigadas a entregar um relatório médico que comprove o seu bem-estar.

As alterações não ficam por aqui e todas as fotografias que forem alteradas digitalmente para "emagrecer" as manequins deverão conter uma etiqueta a informar que foram mexidas. Victoire revela ainda que todas as suas fotografias eram retocadas: "Mudavam-me as pernas... Até as bochechas."

O opaco mundo da moda está a tornar-se transparente e é por isso que a ex-manequim apela às raparigas que denunciem casos como o que viveu. As redes sociais são, neste sentido, uma força brutal para acabar com o problema, uma vez que já é frequente assistir-se a movimentos espontâneos a reivindicar o conceito de beleza.

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