Política

Montenegro quer PS deitado no divã

Montenegro quer PS deitado no divã

Luís Montenegro quer o PS deitado no divã. "O PS tem uma divergência insanável com a realidade", justificou. "Não quer mais austeridade nem mais medidas corretivas, portanto quer mais défice e mais dívida", concluiu esta terça-feira o líder parlamentar do PSD no encerramento das jornadas do partido, em Viseu.

"São estas medidas", acrescentou, "que têm permitido baixar o défice e a dívida". Nos últimos três anos, o défice baixou para cerca de 5%, mas a dívida não baixou, aumentou para cerca de 130%. Ainda assim, Montenegro insistiu na ideia. "Se o PS quer mais défice e mais dívida é porque quer mais impostos e mais cortes salariais". Pelo que deixou ao maior partido da oposição um conselho: "Que possa encontrar-se consigo próprio e resolver as suas contradições".

Antes, já Marco António Costa, vice-presidente do PSD, também presente no encerramento da reunião dos deputados laranjas, classificara o PS como "o partido do não". "Não promete, não propõe, não apoia, não ajuda, não assume compromissos", criticou, confessando que "gostava de ter uma oposição diferente".

Psicologia à parte, Montenegro lançou ainda um apelo aos socialistas: "Que façam jogo limpo". Isto porque, explicou, "o PS anda a assustar os portugueses, dizendo que são esperados mais cortes nos salários e nas pensões, o que não é verdade", garantiu. "Se o PS quer dizer que tem de haver diminuição da despesa pública e aumento da receita, nomeadamente fiscal, para que o défice que é hoje de 5% possa ser no final de 2015 de 2,5%, aí sim, tem razão", esclareceu.

De resto, continuou, o caminho "é tornar o Estado mais eficiente, gastando menos, de preferência de forma estrutural e permanente, para que não seja preciso cobrar tantos impostos às pessoas e as empresas, para que a sociedade se possa desenvolver e a economia crescer".

Será neste contexto de "eficiência" que se insere o anúncio que Pedro Passos Coelho fez, ontem, também em Viseu, de que em Abril serão conhecidos os novos cortes orçamentais, que podem ascender a 2,5 mil milhões de euros. No entanto, tornou Montenegro, "nada disto é novidade para o PS". "Não é com sustos e sobressaltos permanentes que se mobiliza o país para o futuro".

"O país será completamente insustentável"

O PSD não quer os portugueses assustados, mas o diagnóstico do país traçado pelos oradores convidados ao longo de dois dias de jornadas é pessimista.

Nas contas de Jorge Bravo, especialista em pensões, "mesmo que a taxa de desemprego desça dos atuais 16% para 6,5%, a população em idade ativa, a população ativa e a população empregada vão baixar, o que vai agravar fortemente o financiamento do sistema da segurança social".

Bravo recordou ainda que as previsões de crescimento para Portugal feitas pela Comissão Europeia são "moderadas", apontando, a médio e longo prazo, para "1,2%". Logo, antecipou, "além de ser necessária uma reforma profunda do sistema", o ideal será que, no futuro, "os reformados encontrem outras formas de rendimento e não vivam só da reforma". De preferência, devem também adiar a idade da reforma.

Joaquim Azevedo, que está, a pedido do Governo, a coordenar um grupo de trabalho sobre a queda demográfica e a natalidade, afirmou que ouve "sirenes vermelhas" e avisou: "Antes do fim do século seremos menos de sete milhões e o país será completamente insustentável".

O professor universitário sublinhou que, desde há 15 anos, a média de filhos por casal é de 1,5. "O ano de 2014 poderá ser aquele em que vamos ter menos de 80 mil nascimentos. Significa que vamos ter de trabalhar vinte anos para inverter esta tendência", estimou. "Somos quase uma espécie em vias de extinção, não podemos continuar a ignorar as sirenes da insustentabilidade demográfica".

PSD acredita em vitória nas legislativas

Apesar destes cenários, Luís Montenegro mantém o otimismo - no país e numa vitória eleitoral do PSD nas legislativas de 2015. E explicou porquê. "Os primeiros sinais positivos começam a chegar à vida das pessoas: crescimento da economia, controlo da finanças públicas, diminuição do défice, diminuição do desemprego, capacidade de gerar emprego, sólido comportamento das exportações, baixa das taxas de juro", elencou. "Tudo isto são sinais positivos que atestam que o país está melhor".

O social-democrata referiu ainda como indicador positivo "a diminuição da desigualdade entre as classes mais baixas e as classes mais altas de rendimento". "Essa desigualdade diminuiu, mesmo neste período de maior condicionamento", assegurou, embora ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE) tenha divulgado um relatório que aponta no sentido contrário.

De acordo com o INE, a distância de rendimento entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres aumentou de 10 em 2011 para 10,7 em 2012.

Certo de que o PSD "é o partido que mais está a dar a confiança e segurança à próxima geração", Montenegro disse acreditar que o partido "tem todas as condições para enfrentar as próximas eleições - as europeias mas sobretudo as legislativas". "Temos não só o direito, mas a obrigação de lutar pela vitória eleitoral, demonstrando às pessoas que merecemos não desperdiçar o caminho que fizemos".

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