Sondagem

Paulo Portas responsável pela crise para 34% dos portugueses

Paulo Portas responsável pela crise para 34% dos portugueses

O pedido de demissão "irrevogável" de Paulo Portas não foi bem visto pelos portugueses, que o consideram o principal responsável pela crise política. Cavaco, Passos e Seguro também ficaram mal na foto.

Já depois de revogar o pedido de demissão "irrevogavel", o ministro dos Negócios Estrangeiros e líder do CDS-PP assumiu preferir pagar "um preço de reputação" do que não fazer o que deve para "um futuro melhor". E esse preço está bem patente na sondagem da Universidade Católica para o JN, segundo a qual 34% dos inquiridos consideram Paulo Portas o principal responsável pela crise política, bem à frente de Passos Coelho (20%) e de Cavaco Silva (11%).

O "castigo" a Portas é também evidente na avaliação que os portugueses fazem do seu papel durante a crise. Uma ampla maioria (79%) entende que esteve mal ou muito mal. Neste capítulo, tanto o presidente da República como o primeiro-ministro e o líder do PS são igualmente criticados: Cavaco por 59% das pessoas, Passos por 67% e Seguro por 52%. Aliás, bem vistas as coisas, não há qualquer líder partidário que tenha agido bem ou muito bem para a maioria dos entrevistados.

Esta má relação com os agentes políticos estende-se às instituições. Dizer que é na Presidência da República que os portugueses mais confiam é, simultaneamente, verdadeiro e falso. Verdadeiro porque há 42% de indivíduos que pensam assim; falso porque a maioria (55%) diz o contrário. No topo da desconfiança estão o Governo (70%) e os partidos que o apoiam (69%).

Estes dados batem certo com os que se referem à melhor solução para o país, na medida em que apenas 12% dos inquiridos defendem um Governo PSD/CDS. A preferência (37%) vai para eleições antecipadas, uma solução que o presidente da República voltou a recusar, optando pela continuação do Executivo de Passos, entretanto remodelado.

Uma remodelação que para 50% dos portugueses não representa nada, não obstante um dos ministros substituídos ser mal-amado por 65% dos entrevistados. Trata-se de Vítor Gaspar, que tutelava as Finanças e durante dois anos foi o rosto da política de austeridade. Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia, muito contestado no início do mandato, saiu do Executivo com um saldo mais favorável (45% de avaliações negativas).

Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 27, 28 e 29 de julho de 2013. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1096 inquéritos válidos, sendo que 58% dos inquiridos eram do sexo feminino, 23% da região Norte, 17% do Centro, 47% de Lisboa, 7% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 55%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1096 inquiridos é de 3%, com um nível de confiança de 95%.

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