Política

Portas aceita pagar "um preço de reputação" por "um futuro melhor"

Portas aceita pagar "um preço de reputação" por "um futuro melhor"

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, afirmou, esta sexta-feira, preferir pagar "um preço de reputação" do que não fazer o que deve para "um futuro melhor", voltando a defender a proposta pela maioria apresentada ao Presidente da República.

"Prefiro pagar um preço de reputação nas vossas intervenções do que não fazer o que posso e o que devo para um futuro melhor", afirmou Paulo Portas, no encerramento do debate do "estado da nação', numa intervenção em que citou Sá Carneiro e Adriano Moreira.

O também presidente do CDS-PP dirigia-se aos partidos da oposição, que se referiram nas suas intervenções ao caráter "irrevogável" da sua demissão do Governo, em que acabou por permanecer.

"Em tempo veloz, porque as circunstâncias o exigiam, a maioria entregou ao senhor Presidente da República para avaliação, uma solução governativa estável. Creio ser manifesto que a sociedade, os parceiros sociais, os mercados, a maioria dos cidadãos registaram esse entendimento e sublinharam a evolução que continham", disse.

"O país tem uma maioria que apresentou uma solução ao Chefe de Estado, é uma solução que bem proximamente demonstrará a sua confiança, vencendo com naturalidade a censura que foi hoje aqui anunciada", afirmou, numa alusão à moção de censura que vai ser apresentada pelo Partido Ecologista "Os Verdes" na próxima semana.

Na intervenção, Portas citou o fundador do PSD e antigo primeiro-ministro da Aliança Democrática Francisco Sá Carneiro: "Primeiro Portugal, depois o partido, por fim, a circunstância pessoal de cada um de nós", disse.

"Acrescentaria que em caso de opção entre o interesse de Portugal e do partido deve prevalecer o de Portugal e em caso de opção entre a razão de partido e a razão pessoal, deve prevalecer a razão de partido", defendeu.

Portas disse que "foi com este espírito" que a crise de Governo "foi superada", sem "querelas de importância", mas avaliando "as necessidades do futuro, começando pelo enfoque económico, decisivamente tão importante como o financeiro e garantindo melhor articulação e cooperação política entre os partidos da maioria".

O ministro dos Negócios Estrangeiros também citou um fundador e presidente do seu partido Adriano Moreira, para dizer que foi com o "institucionalismo" que caracterizam o seu pensamento político que as divergências no Governo foram ultrapassadas.

Sublinhando que não são de agora os apelos do CDS-PP ao "compromisso", Portas recordou que tem vindo a pedir "menos espírito de fação" e "mais espírito de nação"

"A vivacidade natural deste debate podia ter contaminado negativamente o esforço de diálogo que nos é pedido pelo Presidente da República. Manifestamente, a contenção foi a atitude prevalecente e isso aplica-se tanto ao Governo como ao principal partido da oposição", declarou.

Segundo Portas, "ninguém cedeu à tentação de colocar condições impossíveis", o que "significa que esse esforço de diálogo, que precisa de se aproximar corajosamente da realidade das opções e que precisa também da tolerância com as alternativas objetivas", tem que começar.

"O excesso de crispação política não resolve nenhum dos problemas dos portugueses. Fica cada um na sua, mas o que podemos construir junto, sem prejudicar a posição institucional de ninguém, perde-se aos microfones quando manifestamente podia ganhar-se na mesa de uma qualquer negociação. Vamos fazer esse esforço", conclui.

Tal como havia sido o primeiro-ministro, embora não durante tanto tempo, Paulo Portas foi aplaudido de pé pelas bancadas da maioria PSD/CDS-PP.

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