Sondagem

PS e PSD com votação reforçada

PS e PSD com votação reforçada

PSD e PS não se entendem, mas é nesses dois partidos que os portugueses continuam a depositar confiança. A vantagem está do lado dos socialistas (35 contra 32%), que ainda não são alternativa ao Governo.

Sendo o país governado, intercaladamente, por PSD e PS e estando esse mesmo país a atravessar um dos períodos mais críticos da sua história democrática, do ponto de vista económico e social, seria de esperar que os portugueses manifestassem o seu descontentamento em relação às ditas forças políticas. Mas não é assim. Reza uma sondagem da Universidade Católica para o JN que PS e PSD são os únicos partidos a subir, tendo como base de comparação o barómetro realizado em março último, e exatamente na mesma proporção: os socialistas passam de 31 para 35% e os social-democratas de 28 para 32%.

É, portanto, nos dois partidos do Bloco Central que os portugueses acreditam, mesmo que eles não se entendam entre si, como se verificou recentemente a propósito do "compromisso de salvação nacional" proposto pelo presidente da República.

A conclusão é tanto mais óbvia quanto se constata que os restantes partidos caem, incluindo os que se situam mais à Esquerda e estão mais próximos das ações de protesto contra as políticas de austeridade. E se é verdade que CDU e BE perdem algum terreno (um ponto percentual cada, face a março), mais significativo é o tombo do CDS-PP, parceiro do PSD na coligação de Governo. Os centristas obtêm nesta sondagem apenas 3%, o que, mesmo tendo em consideração os já tradicionais maus desempenhos do partido nos estudos de opinião, é relevante.

Mais o é se for associado à descida da avaliação do seu líder, Paulo Portas. Com efeito, Portas é, neste momento, o líder partidário com pior nota (5,9 numa escala de zero a 20) e o que recolhe menos apreciações positivas (31%). Um resultado que contrasta com o que teve em março e que é reflexo, sem dúvida, da sua responsabilidade na crise política que obrigou à intervenção do presidente da República.

O próprio chefe de Estado não saiu incólume desse processo, que se arrastou durante 20 dias e não teve qualquer resultado prático. Aos olhos dos portugueses, Cavaco Silva continua com nota média negativa (passou de 8,1 para 7,7), sendo, ainda assim, a segunda figura política mais apreciada, logo atrás de Jerónimo de Sousa.

Ora, é neste quadro de desvalorização dos dirigentes políticos que não surpreende que 77% dos portugueses considerem que o Governo é mau e, simultaneamente, 61% entendam que nenhum outro partido da Oposição faria melhor. Há aqui, parece claro, um misto de resignação e de descrédito na classe política.

No meio de tanto pessimismo sobram alguns, poucos, sinais contrários. Há 19% de pessoas (eram 17%) que acreditam que o Governo vai governar melhor. E há 30% (eram 26%) de indivíduos que estão convencidos que as medidas que têm vindo a ser tomadas levarão a que o país seja mais competitivo e desenvolvido.

Ficha técnica

Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião da Universidade Católica Portuguesa (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias nos dias 27, 28 e 29 de julho de 2013. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram selecionadas aleatoriamente dezanove freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A seleção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2009 e 2011 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram selecionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. Foram obtidos 1096 inquéritos válidos, sendo que 58% dos inquiridos eram do sexo feminino, 23% da região Norte, 17% do Centro, 47% de Lisboa, 7% do Alentejo e 6% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição de eleitores residentes no Continente por sexo, escalões etários, região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral e do Censos 2011. A taxa de resposta foi de 55%*. A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 1096 inquiridos é de 3%, com um nível de confiança de 95%.

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