Política

Seguro diz que há muita gente pendurada no Estado e promete dar luta aos lóbis

Seguro diz que há muita gente pendurada no Estado e promete dar luta aos lóbis

O secretário-geral do PS afirmou quarta-feira à noite que lutará contra lobbies que estão a capturar o Estado, numa entrevista em que considerou "impossível" mais aumentos de impostos em Portugal, alegando que se ultrapassaram os limites.

António José Seguro falava na Sic Notícias, no programa Negócios da Semana, depois de questionado sobre matérias como a reforma do Estado, crescimento económico e política fiscal.

"A verdade é que há muita captura do Estado e tenho essa consciência", disse no ponto sobre a reforma do Estado, apontando em seguida que essa situação foi gerada progressivamente, ao longo de décadas, por alguns setores da sociedade portuguesa.

"Há muita gente pendurada e é preciso coragem para reformar o Estado. Se não tivesse essa coragem, não estava à frente do PS. Quando um dia, como espero, merecer a confiança dos portugueses, a minha responsabilidade é lutar contra esse lóbis que defendem interesses privados", afirmou o líder socialista.

Entrevistado pelo jornalista José Gomes Ferreira, o secretário-geral do PS sustentou que "mais aumentos de impostos é uma coisa impossível, porque Portugal em alguns casos até ultrapassou o limite do admissível".

"Em relação ao IRC, o PS apresentou uma proposta, no âmbito do Orçamento do Estado para 2012, no sentido de que os primeiros 12500 euros de lucros de pequenas e médias empresas pudessem ser tributadas não a 25 mas 12,5%, tendo em vista promover a recapitalização das empresas", advogou.

Durante os 50 minutos de entrevista, António José Seguro reiterou que a sua prioridade é a renegociação com a "troika" (Banco Central Europeu, Fundo Monetário Internacional e Comissão Europeia) do processo de ajustamento do país, reafirmou que o défice de 2012 só será de cinco por cento com base no recurso pelo Governo a receitas extraordinárias e mostrou-se insatisfeito com os esclarecimentos do executivo em matéria de cortes nas rendas excessivas, sobretudo na área da energia.

António José Seguro apontou que o primeiro-ministro disse ter cortado 18 milhões de euros em rendas excessivas na área da energia, mas lamentou que, até agora, se continue a desconhecer "quanto é que cada uma das operadoras deixou de receber".

Na questão sobre a criação de um banco de fomento, destinado a apoiar a atividade empresarial, o secretário-geral do PS foi confrontado pelo jornalista da SIC com o rumor de que a banca se estará a opor a esse projeto.

"Se o Governo admitir que o atraso da criação de um instrumento vital para o financiamento da economia não está a ser feito por cedência a pressões dos banqueiros, isso era inaceitável", advertiu.

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