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George Wright é "fraudulentamente" português, acusa família de vítima

George Wright é "fraudulentamente" português, acusa família de vítima

A família de Walter Patterson, por cujo assassinato George Wright foi condenado nos Estados Unidos, afirma que o fugitivo à justiça norte-americana é "fraudulentamente" cidadão português e vai continuar a reunir apoios para conseguir a extradição.

O Supremo Tribunal de Justiça (STJ) indeferiu quinta feira o recurso apresentado pelas autoridades norte-americanas sobre a não extradição de George Wright para os Estados Unidos, determinada pela Relação de Lisboa.

À agência Lusa, uma das filhas de Walter Patterson, Anne Patterson, afirmou esta sexta-feira que a família ficou "muito surpreendida" com a decisão, uma vez que os dois países têm um tratado de extradição.

"Não percebo isso, porque se ele se tornou cidadão português com base numa identidade falsa, então é fraudulentamente um cidadão português", afirmou Anne, uma das duas filhas do proprietário de uma bomba de gasolina em Wall, Nova Jérsia assassinado em 1962.

"Falando pela família, todos gostaríamos de ver feita justiça pelo meu pai. Teria sido uma boa prenda de Natal para nós", adiantou, com a voz embargada.

A família tem estado a receber apoio, entre outros, do senador Frank Lautenberg, que escreveu recentemente ao primeiro ministro, Pedro Passos Coelho.

Tem também recebido o apoio de outro senador, Robert Menendez e dos congressistas que representam o Estado de Nova Jérsia em Washington, além de organizações de veteranos, uma vez que a vítima era um militar condecorado na II Guerra Mundial.

"Gente em todo o país, amigos e parentes, estão consternados com a injustiça de não poder ter justiça", afirma Patterson.

A conduzir os esforços para conseguir a extradição de Wright está o Departamento de Justiça norte-americano.

O caso Patterson será destaque nos próximos meses no programa de televisão "Dateline NBC", um dos de maior audiência sobre crimes, adiantou a filha da vítima, que espera assim mobilizar a opinião pública norte-americana para o caso com quase 50 anos.

"Acho que as pessoas não entendem a severidade do crime. Não desisto da esperança de que vai haver justiça para o meu pai. Eu e a minha irmã, ficámos órfãs depois deste crime. A minha mãe morreu pouco depois, estava muito doente. O meu pai tem 7 netos e 14 bisnetos que nunca tiveram oportunidade de o conhecer", afirmou.

"Até se pagar a dívida à sociedade não se pode dizer que se fez todo o possível. Wright nunca sequer disse que lamentava pela nossa família. Diz que não foi o autor dos disparos", adianta Anne Patterson.

Detido a 26 de Setembro pela Polícia Judiciária (PJ) e procurado há 41 anos pelas autoridades norte-americanas, George Wright, de 68 anos, vivia em Portugal com o nome de José Luís Jorge Santos.

O Tribunal da Relação de Lisboa recusou a 17 de Novembro a extradição do norte-americano George Wright tendo o Ministério Público ficado ao lado da defesa de George Wright, que tem nacionalidade portuguesa, defendendo a sua não extradição.

A 29 de Novembro, as autoridades norte-americanas recorreram da recusa do Tribunal da Relação de Lisboa.

Segundo a fonte judicial ouvida pela Lusa, os juízes conselheiros que receberam o recurso interposto pelas autoridades norte-americanas da decisão de não extradição de George Wright/Jorge dos Santos "recusaram-no liminarmente" antes mesmo de apreciar a matéria.

Os conselheiros do STJ consideraram, indicou a fonte, que a matéria em causa dizia respeito à cooperação judiciária entre países e que o representante do Estado português (o Ministério Público) concordou com a decisão tomada em segunda instância e não recorreu da mesma.

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