segurança

Prisão efetiva para cinco arguidos do "gangue do multibanco"

Prisão efetiva para cinco arguidos do "gangue do multibanco"

Cinco dos 12 arguidos do denominado "gangue do multibanco" foram condenados a penas de prisão efetiva. A leitura do acórdão ocorreu, esta sexta-feira à tarde, no Campus da Justiça, em Lisboa.

Dois dos doze arguidos do caso conhecido como 'gangue do multibanco', grupo acusado de associação criminosa para roubo e furto de máquinas ATM, foram condenados a penas de prisão efetiva superiores a oito anos.

O coletivo de juízes aplicou a pena de oito anos e sete meses a Marco Silva, que se encontra em liberdade, e de oito anos e quatro meses a Jonny Pinho, o qual está detido ao abrigo de outro processo.

Ambos foram condenados pelos crimes de coautoria em associação criminosa e por vários roubos e furtos qualificados.

Além destas duas condenações, o coletivo da 1.ª Vara Criminal do Campus da Justiça de Lisboa decidiu aplicar penas de prisão efetivas a mais três arguidos: cinco anos e dois meses para Carlos Ramos, quatro anos e oito meses para Fernando Correia e dois anos e oito meses para Marco Catarino, por crimes de idêntica natureza. Encontram-se todos presos à ordem de outros processos.

O coletivo de juízes condenou Óscar Gonçalves, um ex-operacional das FP25 (Forças Populares 25 de Abril) e a sua companheira, Sandra Carvalho, a penas suspensas de um ano e seis meses e de dois anos, respetivamente, pelo crime de coautoria em associação criminosa.

Fábio Chora foi condenado a uma pena de um ano e seis meses, suspensa na sua execução, por tráfico de droga.

Os restantes quatro arguidos, Telmo Ribeiro, Fábio Rodrigues, Carlos Semedo e Carlos Conceição foram absolvidos de todos os crimes pelos quais eram acusados pelo Ministério Público.

Para o coletivo de juízes, ficou provado que o "núcleo duro do grupo criminoso" era composto por sete dos arguidos, os quais se reuniam na casa de Jonny Pinho (que se encontrava em prisão domiciliária devido a outro processo), situada na Margem Sul (do Tejo), para planear os assaltos a máquinas ATM que levaram a cabo de norte a sul do país, recorrendo a rebarbadoras e a carros de alta cilindrada.

"Não é possível identificar cada um dos arguidos nos locais dos assaltos, mas foram os elementos do grupo que os perpetraram todos. Disso não há dúvidas, tendo em conta as ligações que ficaram provadas", sustentou a presidente do coletivo de juízes, Leonor Botelho.

À saída do Campus da Justiça, em Lisboa, pelo menos os três advogados dos arguidos condenados a penas mais pesadas adiantaram que vão recorrer para o Tribunal da Relação.

No primeiro julgamento realizado em 2010, que o Tribunal da Relação de Lisboa mandou repetir, o coletivo de juízes decidiu absolver 11 dos 12 arguidos.

"Vou ter muita dificuldade em explicar ao meu cliente [Carlos Ramos] como é que um coletivo decide absolver a grande maioria dos arguidos e agora outro coletivo, com as mesmas provas, decidiu por estas condenações. Vamos recorrer", frisou o advogado Carlos Melo Alves.

O 'gangue do multibanco', no qual Quinito, Marco d'Aires e um ex-operacional das FP25 eram três dos principais arguidos, estava acusado de associação criminosa para roubo e furto de máquinas ATM, com recurso a veículos de alta cilindrada previamente furtados para o efeito, até fevereiro de 2009.

Em finais de 2010, o Tribunal da Relação de Lisboa mandou repetir todo o julgamento do 'gangue do multibanco' - acusado de roubar mais de dois milhões de euros em caixas ATM -, por entender que o primeiro julgamento "foi gravemente lesivo dos interesses e expetativas das vítimas e corrosivo para a imagem de uma Justiça que tem vivido um dos seus piores momentos".

De acordo com o acórdão da Relação, o coletivo de juízes que absolveu 11 dos 12 membros do gangue fez um "errado julgamento de parte significativa" das provas levadas a tribunal.

Os juízes desembargadores expressaram "incompreensão e perplexidade" pela decisão tomada em julho de 2010 por um coletivo de juízes das Varas Criminais ante a "evidência e irrefutabilidade de algumas das provas" apresentadas pela acusação feita pelo Departamento de Investigação e Ação Penal.

Recomendadas

Conteúdo Patrocinado