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Bolseiros do Instituto Tropical sem receber desde Fevereiro

Bolseiros do Instituto Tropical sem receber desde Fevereiro

Investigadores do Instituto de Investigação Científica e Tropical estão sem receber desde Fevereiro. Alguns bolseiros tiveram de abandonar a instituição, estando agora no desemprego, alertou a Associação de Bolseiros de Investigação Científica.

"Houve bolsas que foram suspensas em Fevereiro e outras em Março e até agora, que a gente saiba, as situações ainda não foram corrigidas. Alguns investigadores tiveram de pedir ajuda aos pais", contou Susana Neves, da direcção da Associação de Bolseiros de Investigação Científica (ABIC), citada pela Agência Lusa.

Segundo a ABIC, nesta situação estariam inicialmente 13 bolseiros mas alguns acabaram por abandonar a instituição, estando agora no desemprego. Os que permanecem no IICT, "estão a trabalhar sem receber", lamentou Susana Neves.

A ABIC diz que o pagamento de bolsas em vários projectos de investigação está suspenso há meses, alertando para o facto de o valor das bolsas representar o "único rendimento destes bolseiros". A responsável da ABIC sublinha que "estes bolseiros não são estudantes do IICT, mas sim investigadores com grau académico superior".

Em declarações à Lusa, a presidente da ABIC, Ana Teresa Pereira, lembrou que as "várias queixas" feitas à associação já motivaram uma reunião de emergência da direcção da associação para tentar apurar as razões do atraso dos pagamentos.

Em Portugal existem cerca de 17 mil bolseiros a trabalhar na área da investigação. Ou seja, milhares de pessoas "trabalham diariamente com estatuto do bolseiro, sem um vínculo laboral mas sim um subsídio de manutenção mensal", explica Ana Teresa Pereira. Muitos vivem assim "há dez ou 15 anos", sublinha a presidente da associação.

Por isso, em Portugal, ser bolseiro é sinónimo de ser trabalhador precário: "Não dá direitos como dá aos outros trabalhadores: não descontamos para a segurança social, nem IRS, não recebemos o 13.º mês nem subsídio de férias", resume a representante da ABIC.

A agravar esta situação, as bolsas não são actualizadas desde 2003 o que significa que os investigadores já "perderam quase 20% do seu poder de compra". Por exemplo, actualmente, o valor mensal das bolsas para doutoramentos é de 980 euros.

A ABIC tem vindo a reclamar uma actualização regular das bolsas indexada à Função Pública: "Queríamos apenas ter os mesmos direitos que os outros trabalhadores".

Com a mudança de governo não houve qualquer anúncio no sentido de alterar a legislação e o programa de governo é "pouco concreto em relação à investigação científica e aos bolseiros", sublinhou Ana Teresa Pereira.

Perante este cenário, o que leva os jovens portugueses a não abandonarem o país? A ABIC realizou um estudo recentemente que concluiu que são as razões familiares e depois as questões patrióticas que fazem com que a fuga de cérebros não seja ainda maior.

A presidente da ABIC sublinha que "todos os bolseiros vivem uma situação incerta e só continuam a fazer investigação porque é algo que realmente gostam".

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