Animais

Cientistas propõem alterações nas estradas para evitar morte de animais

Cientistas propõem alterações nas estradas para evitar morte de animais

Investigadores portugueses propõem alterações nas estradas, desde a elevação de bermas ao corte da vegetação, para evitar a elevada taxa de mortalidade de espécies, como corujas ou fuinhas, ao colidirem com os veículos.

O efeito das estradas na fauna é seguido há muito por um grupo de biólogos do Centro de Biologia Ambiental da Universidade de Lisboa, em colaboração com as empresas responsáveis pela gestão e manutenção das vias rodoviárias - BRISA e Instituto de Estradas de Portugal.

Um novo trabalho, que é publicado esta quinta-feira na revista norte-americana "PLOS ONE", estudou o comportamento da coruja das torres e da fuinha, uma ave e um mamífero, duas das espécies mais atingidas pelos acidentes nas estradas, para compreender como evitar o elevado número de mortes.

Entre 2004 e 2008, entre as corujas das torres registou-se uma mortalidade anual de 47 indivíduos por cada cem quilómetros, "uma taxa bastante elevada", segundo a investigadora Clara Grilo.

A cientista explicou à agência Lusa que as estradas causam a morte por atropelamento, mas também têm o efeito barreira, ou seja, afastam os animais e as populações acabam por isolar-se e correr o risco de extinção.

Além da preocupação com a conservação das espécies, os investigadores atendem ao problema da segurança rodoviária, pois o aparecimento repentino de um animal na estrada pode provocar acidentes com consequências para os ocupantes do veículo.

"Neste trabalho, tentamos perceber como se comportam [os animais], relativamente à estrada, para podermos ver quais as medidas mais adequadas para minimizar a mortalidade por atropelamento", resumiu Clara Grilo.

Através da colocação de emissores em corujas e fuinhas, foi possível seguir os seus movimentos, durante vários dias, e perceber que "não evitam as estradas e têm tendência a ser atraídos para bermas, quando estas têm vegetação que lhes confere proteção e há onde maior disponibilidade de alimento, como roedores".

Estas informações "permitem propor medidas, como o corte regular da vegetação ou a elevação das bermas a três ou quatro metros, para que as corujas mantenham o voo alto e cruzem a estrada sem colidir com os veículos", listou a investigadora.

As fuinhas cruzam regularmente a estrada e existem várias passagens, hidráulicas, inferiores e superiores, que podem ser usadas, considerou Clara Grilo.

A investigadora salientou que, "provavelmente, não utilizam muito estas passagens porque têm um aspeto muito artificial, a proposta é dar-lhe um aspeto mais natural para que fiquem mais atrativas a ser usadas por estas espécies", permitindo aceder ao outro lado da estrada de uma forma segura.

As observações decorreram na autoestrada A2, na zona de Aljustrel, para a coruja das torres, e na A6, em Vendas Novas, para a fuinha.

Entre as espécies mais vulneráveis ao tráfego rodoviário, a raposa, o texugo ou a fuinha, que têm de cruzar a estrada para fazer patrulhamento do seu território, em busca de alimento ou de parceiro, e aves rapinas noturnas, como corujas, que, com o voo relativamente baixo, têm mais probabilidade de colidir com veículos.

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