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Crise pode agravar violência financeira contra idosos

Crise pode agravar violência financeira contra idosos

A chantagem financeira, a utilização indevida dos recursos de um idoso ou o abuso da assinatura em documentos como testamentos ou estatutos de bens são algumas das formas de violência financeira contra a terceira idade.

A crise económica das famílias pode criar ou agravar casos de violência financeira contra os idosos, alerta a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.

"É uma realidade pouco estudada. Com o que temos, tudo indica que só conhecemos a ponta do icebergue", disse à Aência Lusa Margarida Pedroso Lima, investigadora da Faculdade de Psicologia da Universidade de Coimbra.

João Lázaro, da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), considera que a crise financeira "pode levar a que muitas pessoas se comecem a aproveitar mais dos seus idosos".

"A prestação social do idoso pode acabar por ser consumida por outro elemento da família que perdeu fontes de rendimentos. Este quadro não é assim tão académico ou hipotético", afirma.

E defende que os idosos podem ter, por vezes, necessidade de "uma tutela externa" para determinados aspectos da sua vida, como a gestão de dinheiro.

Os dois especialistas, que amanhã, quinta-feira, participam num encontro nacional sobre violência na pessoa idosa, acreditam que muitas vezes não há consciência de que algumas acções são consideradas violência, que tanto pode ser física, como financeira, psicológica, emocional ou negligência.

É preciso "intolerância social"

A intimidação física ou verbal, a utilização dos recursos do idoso, limitar os direitos de uma pessoa ou negligenciar a sua higiene são tipos de violência.

João Lázaro diz mesmo que o importante seria replicar a "intolerância social" que se sente em relação à violência doméstica nas mulheres e crianças.

"No caso dos idosos é um fenómeno que ainda está muito escondido, é muito subterrâneo. É preciso caminhar para este sentimento de consciencialização colectiva e de intolerância social", defende o responsável da APAV.

Também Margarida Pedroso Lima diz que é necessário respeito pelo estatuto da pessoa idosa. "É preciso respeitar as suas opções, mesmo que sejam contra o que é considerado correcto. Uma pessoa idosa com as suas capacidades cognitivas tem direito a dizer que não quer comer. Nós tendemos a infantilizar os mais velhos e a decidir por eles", comenta.

Aliás, para a APAV, infantilizar uma pessoa idosa pode ser considerado um mau trato psicológico ou emocional.

Segundo os dados da APAV de 2009, 639 pessoas idosas foram vítimas de vários tipos de violência.

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